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LM301 vs LM281: qual o melhor Chip Samsung para o cultivo?

Chip LM301H da Samsung. Ele é quadrado, possui as bordas brancas e o centro amarelo.

Afinal, qual a diferença entre um chip Samsung LM301 vs LM281? Para entender isso, precisamos voltar um pouquinho no tempo.

No final de 2020, devido à alta demanda de quantum boards no mercado e também de uma maior produção (novos fabricantes surgindo no mercado de iluminação), houve uma falta do suprimento dos chips mais comuns e atualizados (LM301H/LM301B) para cultivo na China, essa que é a maior produtora de quantum boards do mundo.

Para continuar suprindo o mercado de iluminação, os fabricantes surgiram com algumas alternativas, utilizar marcas diferentes, como a Seoul, a Osram e também utilizar chips de gerações mais antigas da Samsung, como o LM283B+ e o LM281B+.

Assim como o LM283B+, por serem painéis com o intuito de suprir a demanda, é importante notar alguns fatos. Quando houve o surgimento desses novos chips, a maioria deles não eram testados, não foram feitas medições de PPFD, PAR e até mesmo de espectro.

Muitas empresas novas que trabalhavam/trabalham com a fabricação de painéis de iluminação nem mesmo possuem os materiais e equipamentos necessários para realização de tais análises, então é muito importante abrir os olhos perante ao que vemos por aí na internet.

Existem muitos produtos falsificados, dados falsos, produtos sem nota fiscal e sem garantia verdadeira por aí.

LM301 vs LM281: Quais as diferenças entre eles?

Chip Samsung LM301
Chip Samsung LM281
Diferenças entre eles.

Todas as imagens acimas são oficiais do site da Samsung. Observando os dados, podemos notar 2 pontos principais:

O LM301B possui uma eficiência bem maior comparado com o LM281B+, 55 lúmens/Watt a mais, ou seja, 33,33% mais eficiente.

O LM281B+ por não ser um chip voltado para horticultura não possui seus dados medidos em PPF e PAR como o LM301H possui (foto abaixo). Então, basearemos nossa análise comparativa em função de lúmens, mesmo sabendo que não são os dados ótimos para uma análise na horticultura. 

Quer saber a diferença entre o LM301H e o LM301B?

Fique atento: LM301 vs LM281

É importante lembrar que essa é a eficiência do chip nas condições perfeitas. 

Geralmente, a eficiência do sistema da Quantum board com LM301 como um todo varia de 160 a 180 lúmens/W, para que o produto possua uma vida útil mais longa e tenha um custo acessível. Infelizmente não encontrei dados sobre a real eficiência das quantum boards com LM281B+. Nesses anúncios, existem diversas informações enganosas perante a eficiência do sistema de uma quantum board com LM281B+.

Também existem práticas de má fé, como, propositalmente, omitir informações quanto a eficiência luminosa para que o cliente não perceba que está comprando um produto de qualidade inferior, já que muitas vezes o cliente remete a qualidade do chip somente ao nome da marca Samsung.

Comparando apenas a eficiência máxima de cada chip, ambos nas suas condições perfeitas, o LM301 é cerca de 33% mais eficiente no quesito de lúmens.

Visão de baixo da Quantum Board Cultlight 120 watts. O produto é retangular, feito de alumínio branco na parte de baixo e alumínio preto na parte de cima. Existem quatro ganchos nas pontas para prendê-lo no ambiente de cultivo. Na superfície inferior, existem lâmpadas de LED ligadas.
QUANTUM BOARD 120W LM301H SAMSUNG + 660NM OSRAM – @CULTLIGHT

Para a análise comparativa no quesito luminoso para plantas, a análise não é possível de ser realizada neste momento, uma vez que o chip LM281B+ não possui esses dados focados para horticultura, como por exemplo μmol/J, μmol/s e PPF.

Esses dados são os mais importantes para a análise da qualidade da luz para cultivo de plantas.

Outras diferenças

Outro fator de extrema importância é a ausência da cobertura de anti sulfurização no chip LM281B+ que o LM301H possui.

A sulfurização é um processo de descoloração e degradação decorrente do elemento de enxofre presente na atmosfera. Isso é muito importante para equipamentos que precisam durar por bastante tempo.

Os componentes de enxofre existem em grande variedade de formas na atmosfera, como nos gases de exaustão de veículos e gases emitidos por fontes termais e se a sulfurização ocorrer, é possível que ocorra um circuito aberto afetando negativamente o circuito. Ou seja, se você mora num centro urbano isso é muito importante para seu produto, pois sem essa cobertura ele pode ter uma vida útil reduzida ou ter problemas elétricos.

Fatores importantes

Além disso, por ser um chip mais barato, geralmente ele é emparelhado com drivers de qualidade duvidosa, o que diminui sua vida útil, aumenta o calor gerado e diminui sua intensidade luminosa (chips quentes trabalham ‘’pior’’ do que chips frios).

Por exemplo, imagine uma Quantum Board de 120W, uma com driver MeanWell HLG e outra com driver genérico chinês (driver utilizado na maioria das linhas de LM281B+).

A qualidade do driver impacta na sua eficiência de transformar a energia da tomada para uma tensão utilizável para os chips. Um driver bom é muito eficiente em fazer essa conversão. O driver MeanWell por exemplo, possui cerca de 94% de eficiência, o resto é liberado em calor. Se a eficiência de um driver é de 90%, isto significa que ele drena da rede elétrica uma potência 10% maior do que sua potência nominal.

Por exemplo, se um driver de 120 W trabalha em plena carga e com eficiência de 90% a potência que ele realmente drena da rede elétrica não é 120 W e sim de 133 W.

O driver genérico (Marca Juson) possui cerca de 90%* de eficiência e vida útil de 44.000 horas. Essas informações serão utilizadas mais pra frente.

Observação:

O driver da Juson, apesar de mostrar algumas boas características é muito difícil de ser encontrado fora dos sites de comércio chineses e a busca pelas informações técnicas pode demorar dias.

Recomenda-se um teste de laboratório para levantar os reais dados deste driver e validar ou refutar as informações fornecidas pelo fabricante. Entretanto, para esta análise, os dados serão considerados verdadeiros.

Os drivers MeanWell, entretanto, passam mais confiança nas informações mostradas a começar pela facilidade de encontrar os datasheets e pelo fato de seus produtos estarem disponíveis nos maiores distribuidores mundiais.

Comparativo entre os chips

LM301 vs LM281. Se formos comparar no quesito eficiência com outras lâmpadas e levando em conta o PPF da quantum board de 240W sendo 33,3% menos eficiente no quesito dos chips e possuindo um driver genérico, temos o seguinte resultado:

QB Cultlight LM301H 240W Driver MeanWellHPS 250W OtimizadoHPS 250W Com Reator e TransformadorQB 240W LM281B+ Driver Juson
PPF (μmol/s)589418418442
consumo real (W)255275330267
eficiência (PPF/consumo)2,301,521,271,65

Ou seja, uma quantum board de qualidade inferior pode ser tão eficiente quanto um sistema de HPS otimizado (com refletor e lâmpada nova).

Um sistema de HPS com reator e transformador possui gastos de energia elevados, cerca de 10-30% por conta do consumo extra e perda de eficiência em cada um desses equipamentos. Outro detalhe que pode vir a reduzir mais ainda a vida útil e luminosidade desse painel, é a utilização de chips 660nm Epistar, ao invés de chips 660nm da Osram, que possuem uma intensidade e durabilidade menores.

Custo x benefício: LM301 vs LM281

Com os valores da análise comparativa de cima, fizemos uma análise de custo benefício, levando em conta 3 anos de uso dos painéis e custos comumente encontrados no mercado, segue a tabela:

A partir disso, podemos notar alguns pontos importantes:

Mesmo tendo o maior custo inicial, a QB 240W da Cultlight é a que possui o menor custo por PPF, ou seja, a longo prazo é a que vai te poupar dinheiro e te entregar mais luz.

O sistema otimizado de HPS ainda é uma boa fonte de iluminação, possuindo um baixo custo, PORÉM, esse custo deve ser analisado mais profundamente, pois na maioria dos casos em nosso país, a utilização de HPS utiliza juntamente um sistema de ar condicionado para ter temperaturas mais amenas. Isso aumentaria seu custo por PPF. A utilização de Reator e Transformador também piora muito o sistema da HPS, aumentando mais de R$1.000 no custo do gasto energético em 3 anos de uso.

Mesmo sendo mais barata que a quantum board normal e tendo o mesmo nome ‘’quantum board’’, a quantum board com LM281B+ e driver genérico é tremendamente inferior ao sistema de quantum board eficiente, sendo o terceiro custo por PPF mais caro da análise. Perden apenas para um sistema de HPS não otimizado e para o painel com LM283B+.

O painel com LM283B+, mesmo sendo o mais barato inicialmente, é o que possui o custo por PPF mais caro da análise. Sendo assim, o pior para o bolso dos jardineiros. Ele possui uma baixa liberação de iluminação e um consumo de energia mais elevado, isso se deve à utilização de chips de gerações anteriores e drivers menos eficientes.

Mais detalhes…

Outro detalhe importante que você pode vir a notar é que o custo total no intervalo da 240W Cultlight LM301H não é o menor, mas ela possui o menor custo por PPF. Ou seja, mesmo ela não sendo a opção mais ‘’barata’’, ela é a que entrega mais luz por um custo menor. Comparando a intensidade com a intensidade das outras luzes, vemos o seguinte:

Resumindo…

A QB 240W CULTLIGHT emite:

  • 41% mais luz do que os sistemas de HPS de qualidade;
  • 65% mais luz do que os sistemas de quantum board com LM283B+;
  • 33% mais luz do que os sistemas com LM281B+;

Isto é, mais luz por menos dinheiro. 

Nossa conclusão

LM301 vs LM281: e aí? Podemos concluir que, levando em conta todas essas informações, é possível notar que os painéis com o LM281B+ com driver genérico são mais levemente mais baratos inicialmente, porém a longo prazo são mais caros no bolso.

Por conta do driver possuem um consumo energético maior e o sistema como um todo emite menos luz. Pode ser até menos eficaz para o bolso quando comparado com um sistema eficiente de HPS.

Outro detalhe que podemos notar é que as quantum boards com LM283B+ e driver genérico são a opção que fica em último no quesito de custo benefício, entregando quase menos luz do que uma HPS, tendo um alto custo inicial e um custo mensal alto também, sendo assim a opção menos desejável.

Outro ponto importante é: não menospreze o que a qualidade do seu driver e do seu reator pode impactar no seu cultivo. O cultivo é um hobby de muitíssimo LONGO PRAZO e uma pequena porcentagem de eficiência mensalmente pode sair caríssima, conforme vimos aqui nessa análise.

Muitas vezes o barato pode sair caro. Aposte, sempre que puder, na qualidade, economia, e longevidade do produto.

Sobre o Autor:

Meu nome é Carlos Eduardo, paciente de Cannabis Medicinal e sócio fundador da Cultlight, empresa especializada em iluminação para horticultura e cultivo indoor. Pra quem já me conhece do Instagram ou do YouTube, eu sou o Cadu da Cultlight. Sou Engenheiro de Produção formado na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde pesquiso sobre de Cannabis, cultivo, produção e autoprodução, principalmente com o foco medicinal. Te convido a acompanhar nossos conteúdos nas redes sociais para ter acesso a mais dicas e conteúdos técnicos gratuitos sobre cultivo de maconha!

Se você ainda possui alguma dúvida sobre cultivo de cannabis, por mais simples e básica que pareça ser, não hesite em entrar em contato com a Cultlight, nós faremos o possível para te ajudar ao longo de todo o caminho.

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+55 21 968731570

3 pensamentos sobre “LM301 vs LM281: qual o melhor Chip Samsung para o cultivo?

  1. Pingback: Como ter um cultivo de cannabis com baixo investimento? - Cultlight
  2. Nicklove disse:

    Qual a ordem de lançamentos de Chips da Samsung vcs teriam informações sobre isso?

    1. Daniel disse:

      Salve! Apesar de eu ter pesquisado bastante, a Samsung não disponibiliza uma lista com a data de lançamento dos chips dela. Mas dá pra ter uma noção da data de lançamento dos chips ao olhar os “data sheets” na página de cada produto no site da Samsung: https://led.samsung.com/lighting/applications/horticulture-lighting/

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