Benefícios da Cannabis

Cannabis e Autismo: estudo da UFF revela desafios do tratamento

Neste artigo, você vai aprender quais são os desafios legais, técnicos, financeiros e de manejo relacionados ao autocultivo de maconha medicinal para tratamento terapêutico do Transtorno do Espectro Autista (TEA). A partir dos fatos apresentados, é possível concluir que o autocultivo de cannabis para fins medicinais é, de longe, a forma mais econômica de conseguir acesso ao tratamento, possuindo um custo de CBD por grama mais barato que Associações de Cultivo, Farmácias Nacionais ou Produtos Importados.

O texto a seguir é a transcrição adaptada do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de Carlos Eduardo Brandão, CEO da Cultlight. A pesquisa foi realizada pela Universidade Federal Fluminense, tendo como orientador o Prof. Dr. Fernando Oliveira de Araujo. Você pode assistir a defesa da monografia nesse vídeo aqui! Devido ao seu teor científico e acadêmico, esperamos e estimulamos que este artigo seja utilizado como apoio para obtenção de Habeas Corpus preventivo para autocultivo de cannabis medicinal, ajudando advogados, promotores, pacientes e responsáveis por esses pacientes nessa jornada por acesso democrático do direito à vida. O documento oficial na íntegra está disponível no Repositório Institucional da UFF.

A seguir, você encontra o sumário resumido do trabalho. Basta clicar no capítulo que te interessa para ser redirecionado para lá:

NÃO SOU AGRICULTOR, DESCONHEÇO A SEMENTE:
DESAFIOS LEGAIS, TÉCNICOS, FINANCEIROS E DE MANEJO
RELACIONADOS À AUTOPRODUÇÃO DE CANNABIS SATIVA PARA FINS
TERAPÊUTICOS DE PACIENTES PORTADORES DE AUTISMO

1. Introdução:

1.1 Considerações iniciais

A Saúde Pública no Brasil é regulamentada pela ação do Estado e é entendida como o conjunto de medidas executadas pelo mesmo para garantir o bem estar físico, mental e social da população. Conforme citado no artigo 196 da Constituição da República Federativa do Brasil (Constituição 1988; Brasília, DF: Senado Federal, 2016. 496 p.), a saúde é um direito de todos e dever do Estado.
Nos últimos anos houve um crescente número de estudos e pesquisas que analisam os efeitos psicoativos e medicinais da Cannabis Sativa. Esses estudos têm demonstrado sucessivamente o grande potencial medicinal de diversas substâncias presentes na planta, indicados para o tratamento de diversas enfermidades, como epilepsia, câncer, dor crônica, ansiedade, autismo e depressão.

Segundo Chandra (2016), a cannabis é predominantemente uma erva anual de origem asiática central, que, fortemente influenciado pelo homem ao longo de vários milênios, se adaptou a crescer em quase todas as partes do mundo, dos trópicos à periferia do Círculo PolarÁrtico. É uma das fontes vegetais mais antigas para alimentos, fibras têxteis e remédios. Foi apenas no século passado que as espécies também se tornaram sinônimo de uso como droga recreativa.

Em termos de sua estruturação, a cannabis é considerada uma espécie quimicamente complexa baseada em seus numerosos constituintes naturais. Ele contém uma classe única de compostos terpenos fenólicos (canabinóides ou fitocanabinóides) que têm sido extensivamente estudados desde a descoberta da substância química estrutura do tetrahidrocanabinol (Δ9- THC), comumente conhecido como THC, o principal constituinte responsável pelos efeitos psicoativos da cannabis. Um total de 565 constituintes, incluindo 120 fitocanabinóides, foram relatados na cannabis até agora. Além de Δ9 -THC, CBD e CBDV, outros principais canabinóides da cannabis, incluindo tetrahidro canabivarina (THCV) e cannabigerol (CBG) estão mostrando potencial interesse farmacêutico. (CHANDRA et al. 2016)

Assim, observa-se uma ambiguidade, pois a lei de drogas, lei nº 11.343/2006, lei que institui o sistema nacional de políticas públicas sobre drogas, classifica a cannabis como droga ilícita, proibindo sua posse, transporte e aquisição. Tendo em vista que não se trata de uma agenda da cannabis como droga de abuso e sim dos derivados da erva para produção de substâncias medicinais, existe um um paradoxo para produção de tais substâncias com a proibição dessa matriz

Em 2015, foi criado o Projeto de Lei 399, que visa alterar a lei das drogas com objetivo de viabilizar a comercialização de medicamentos que contenham elementos da cannabis. Além disso, em 2018, visando regulamentar o cultivo de cannabis medicinal industrial no Brasil, foi criado o Projeto de Lei 10549. Inclusive, em 2016 a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou e reconheceu as substâncias da cannabis como medicinal (RDC 03/2015 e RDC 17/2015), retirando a classificação de “substância proibida” para “sujeita a controle especial”, permitindo a sua importação.

Apesar dos estudos científicos oferecerem evidências da eficácia da cannabis para fins medicinais e terapêuticos, os projetos de lei avançam a passos lentos por motivos de pauta política e interesses econômicos e não serão agendas do estudo em questão. É importante citar que ambos projetos de Lei não contemplam o autocultivo, considerado por muitos o pilar principal para o barateamento e a disseminação do acesso aos medicamentos originários da Cannabis Sativa.

No Brasil, a falta de regulamentação do cultivo e dos procedimentos de produção de remédio de forma artesanal, sujeitam as famílias beneficiadas com as propriedades desta planta a consequências penais e a formulações não eficazes devido à padronização inadequada e falta de controle de qualidade (OLIVEIRA, 2021).

No entanto, por unanimidade, a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu salvo-conduto para pacientes medicinais cultivarem cannabis com a finalidade de extrair óleo medicinal para uso próprio, sem correrem o risco de repressão. Concluindo assim que a produção artesanal do óleo com fins terapêuticos não representa quaisquer riscos de lesão à saúde individual, saúde pública ou a qualquer outro bem jurídico.

De acordo com o próprio STJ (2022),


[…] os casos julgados pela turma dizem respeito a três pessoas que já usam o
canabidiol – uma para transtorno de ansiedade e insônia; outra para sequelas do
tratamento de câncer, e outra para insônia, ansiedade generalizada e outras
enfermidades – e têm autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) para importar a substância. No entanto, elas alegaram dificuldade para
continuar o tratamento, em razão do alto custo da importação.

Essa decisão abre caminho para mais pacientes medicinais conseguirem o salvo conduto ou o habeas corpus para o auto cultivo. No caso, o Habeas Corpus não dá permissão para o plantio, apenas garante que o indivíduo não seja preso, em caráter de excepcionalidade, pois está plantando em benefício da própria saúde.

A questão financeira ainda é um grande problema para o tratamento de patologias com os óleos e flores da cannabis, visto que os produtos são cotados em dólar e precisam ser importados, o que torna os seus custos elevados.

A título de ilustração, o custo mensal dos produtos gira em torno de R$ 1.200 e
R$2.000, podendo alcançar a monta de R$4.000, sem considerar as taxas de
importação e a oscilação do dólar. Em média, atingimos o valor de R$ 2.400: cerca
do dobro do salário mínimo vigente no país, o que ultrapassa a renda média mensal
de 54 milhões de brasileiros, equivalente a R$ 928,00, segundo dados da Pesquisa
Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), realizada em 2018 (época
em que o salário mínimo nacional correspondia a R$ 954,00). Em pesquisa publicada
em março de 2017, a Associação Brasileira de Pacientes de cannabis Medicinal –
AMA+ME já havia apontado o elevado custo dos produtos importados, afirmando que
o importe médio de um tratamento pode variar de R$ 1.020,00 a mais de R$ 21.000,00
mensais.’ (PERINI & GONÇALVES, 2018, p.18)

No país, existem algumas associações que possuem salvo conduto para o cultivo, permitindo que as mesmas produzam e distribuam os medicamentos, como o óleo da cannabis Sativa, para os pacientes medicinais associados. Essas associações conseguem oferecer óleos artesanais a preços menores, de qualidade inferior e com baixa variedade, pela média de R$300, porém, valores ainda inacessíveis para alguns pacientes devido ao alto custo, dependendo também da posologia indicada. Nesses casos, o auto cultivo pode se tornar uma ótima saída para esses pacientes.

As associações orientam o processo de cultivo e de produção artesanal do óleo, e funcionam como uma rede de apoio moral (FRAGA; CASTRO, 2021). As associações atendem seus associados com auxílio de uma equipe multiprofissional, facilitam o acesso ao óleo canábico, através de capacitação de cultivo, e através da desobediência civil, fornecem o óleo sem fins lucrativos, mas, atribuem valores de custos, significativamente inferiores aos óleos industrializados. Atualmente as associações buscam na justiça segurança jurídica para desenvolver suas atividades (ZANATTO, 2020).

Sendo assim, o presente estudo trata ainda de um tema sensível, ainda que um conjunto de países já tenham avançado na legalização na agenda contributiva para a promoção de saúde para um grande nicho de pacientes de diversas enfermidades. (BARCHEL, STOLAR, 2019) (SILVA JUNIOR, 2021) (BILGE & EKICI, 2021) (ARAN, 2019)

Com base na nota técnica datada de 19 de abril de 2023, produzida pelo Programa Institucional de Políticas de Drogas, Direitos Humanos e Saúde Mental da Fiocruz, aqui está a tabela resumida das condições de saúde e os respectivos efeitos dos canabinóides. O objetivo é fornecer informações baseadas em evidências científicas para as instituições responsáveis pela legislação, regulamentação, pesquisa, produção, padronização, distribuição e uso da cannabis e seus derivados para fins terapêuticos no Brasil, bem como para a sociedade em geral.

Quadro 1 – Quadro clínico de pesquisas relacionadas à diversas patologias com tratamentos
provenientes da cannabis. Fonte: Elaborado pelo autor, fonte consultada.

Além dessas condições, a potencial segurança e eficácia do uso terapêutico dos canabinoides estão sendo pesquisadas para outras condições, incluindo:

  • Sintomas associados ao Transtorno do Espectro Autista (TEA)
  • Atividade anticancerígena em determinados processos tumorais
  • Síndrome do intestino irritável
  • Doença de Huntington
  • Esclerose lateral amiotrófica
  • Artrite reumatoide
  • Doenças metabólicas e cardiovasculares
  • Síndrome de Tourette
  • Distonia
  • Demência
  • Glaucoma

Também estão sendo desenvolvidos estudos para transtornos psiquiátricos, como os sintomas associados aos transtornos de ansiedade, de humor, psicóticos, por uso de substâncias, de déficit de atenção e hiperatividade, de estresse pós-traumático e afetivo bipolar.

Para todas essas condições, as evidências disponíveis ainda são baixas ou inconclusivas, indicando a necessidade de mais estudos para determinar o possível benefício terapêutico e a segurança do tratamento com canabinóides.

Tendo em vista bons resultados para pacientes de diversas patologias diferentes no que diz respeito à tratamentos com cannabis, é lamentável que pacientes e familiares precisem ter custos altíssimos para ter uma maior qualidade de vida, que poderia ser sanado por meio da auto produção doméstica de cannabis para o próprio tratamento.

Nos Estados Unidos, por exemplo, a maioria dos estados permite o uso adulto legal e a posse de quantidades limitadas de cannabis para fins medicinais aprovados. A aprovação médica varia de acordo com cada estado, alguns estados permitem cannabis apenas por razões médicas, para uma variedade de patologias, incluindo: autismo, ansiedade, artrite, câncer, fibromialgia, glaucoma, enxaquecas e convulsões.

A cannabis medicinal é permitida na maioria dos estados, mas nem todos os estados permitem que os pacientes cultivem a sua própria. Os pacientes têm interesse em cultivar sua própria medicação por vários motivos, inclusive para viabilizar o tratamento ou para garantir que saibam exatamente como o medicamento que estão ingerindo é cultivado. Alguns dos estados que permitem a cannabis cultivada em casa para uso médico incluem: Alasca, Arizona, Califórnia, Colorado, Havaí, Illinois, Maine, Massachusetts, Michigan, Missouri, Montana, Nevada, Nova Hampshire, Novo México, Oklahoma, Oregon, Rhode Island, Vermont, Washington e Washington DC.

Nos países e estados em que a autoprodução é legalizada é possível observar ganhos na qualidade de vida e amortecimento das despesas com medicamentos importados. O movimento de permitir o auto cultivo para pacientes medicinais vem cada vez mais ganhando força até nos estados que estão mais avançados na legalização da cannabis. Em novembro de 2021, dois legisladores da Pensilvânia, Sens. Sharif Street (D-Philadelphia) e Dan Laughlin (R-Erie) apresentaram um projeto de lei que permitiria que os pacientes do programa de cannabis medicinal do estado cultivem seus próprios remédios para uso pessoal.

De acordo com os legisladores, os pacientes estão à mercê do que os produtores estão produzindo e do que seus dispensários locais estão estocando. Além disso, citando um relatório do Departamento de Saúde que descobriu que alguns pacientes devem dirigir mais de duas horas para chegar ao dispensário mais próximo, os legisladores argumentam que os pacientes devem ter permissão para cultivar até cinco plantas adultas de cannabis. Comparando cerca de 2 horas para ter acesso ao remédio, é absurda a comparação de que para pacientes brasileiros precisam importar os remédios, processo que em média demora de 2 a 4 semanas. E, por fim, os legisladores também citam que embora os preços no atacado tenham caído substancialmente, os preços no varejo não tiveram uma redução semelhante. Os defensores do auto cultivo caseiro estão esperançosos de que o cultivo doméstico permitirá que os pacientes adquiram seus medicamentos por uma fração do custo de um produto dos dispensários.

A dificuldade do acesso e a necessidade desses produtos faz com que as famílias recorram a cultivo doméstico, de modo clandestino (OLIVEIRA; VIEIRA; AKERMAN, 2020), ou através de habeas corpus preventivo com o objetivo de obtenção de salvo-conduto para permissão de autocultivo (BORGES; MONTEIRO, 2019), como também de forma associativista, em instituições que produzem esses óleos a associados por valores inferiores ao do mercado (FERREIRA; FILEV, 2020).

1.2 Formulação Problema Pesquisa

Se em alguns casos de Habeas Corpus ou salvo-conduto, o auto consumo e cultivo seja possível há uma lacuna técnica no cultivo/plantio à todo resto inerente. Isso acontece devido à complexidade desse sistema de produção, é relevante que sejam observados pacientes e familiares com distintos conhecimentos. Na maioria dos pedidos de Habeas Corpus, é importante para obter sucesso que o paciente ou responsável consiga comprovar que sabe cultivar. Algumas associações como a Associação de Apoio à Pesquisa e à Pacientes de Cannabis Medicinal (APEPI) promovem cursos de cultivo, extração de óleos medicinais e até cursos médicos. Em alguns casos, apenas uma autodeclaração da experiência adquirida basta.

Porém, o cultivo e extração são atividades complexas, que exigem toda uma grande gama de equipamentos, fertilizantes, ferramentas, conhecimentos multidisciplinares e bastante tempo de estudo para o êxito. Um estudo que utilizou dados provenientes de pesquisa online na web de cultivadores de cannabis predominantemente em pequena escala em onze países conduzido pelo Consórcio Global de Pesquisa em Cultivo de cannabis (GCCRC) mostrou alguns pontos importantes:

  1. Custo, provisão para uso medicinal e pessoal estavam entre as principais razões para o crescimento do ato de cultivar em todos os países (POTTER et al. 2016)
  2. 33% dos entrevistados não conseguiram ter sucesso na primeira colheita. (POTTER et al. 2016)
  3. 17% tiveram ao menos duas tentativas fracassadas antes de sua primeira colheita bemsucedida. (POTTER et al. 2016)

Existem diversas formas diferentes de cultivar. Há modos mais complexos e também mais simples. Alguns são mais caros, outros mais econômicos. Todos eles possuem seus prós e contras. Além disso, também se é necessário aprender sobre a biologia básica da planta e suasespecificidades.

A produção tem um conjunto de detalhes e sutilezas que precisam ser tratadas de maneira franca e embasada para que a efetividade seja possível. Ainda que o paciente possua
condições financeiras é relevante salientar que o sistema de produção envolve um conjunto de atores dispersos geograficamente. Essa cadeia de produção possui sensibilidade inerente ao tema.

Não é legal a comercialização e importação de sementes ou mudas para pessoas comuns. Somente podem ser importadas sementes ou mudas de cultivares presentes no Registro Nacional de Cultivares. Alguns pacientes e associações de cultivo podem receber autorização para importar e cultivar sementes da planta.

Ao contrário da famosa passagem ‘’Meu Vizinho Jogou Uma Semente no Seu Quintal’’ da música do Bezerra da Silva, o auto cultivo indoor da cannabis para fins terapêuticos não é tão romântico, rápido e simples quanto sugere a cantiga popular. Para a regularidade do tratamento da maioria das patologias, como convulsão por exemplo, demanda-se o óleo da planta e para obtenção desse óleo é necessário processos de extração complexos. A título de entendimento, de acordo com o estudo (Dosage Related Efficacy and Tolerability of Cannabidiol in Children With Treatment-Resistant Epileptic Encephalopathy: Preliminary Results of the CARE-E Study) a posologia recomendada para tratamento de convulsão em crianças é de 10-12 mg CBD/kg/dia. Adultos e outras patologias como dor crônica podem ter um consumo ainda maior.

Em média, 1 grama de flor de cannabis com genética focada para CBD possui cerca de 15% em peso de CBD, isto corresponde à 150mg de CBD por grama de flor, em um mês uma criança de 40kg consumiria cerca de 14.400 mg de CBD, que corresponde a 96 gramas de flor por mês, para obter essa quantidade do medicamento é importante ter uma produção tratada com seriedade, para que o tratamento seja realizado com sucesso. Ter o ambiente de produção controlado, com tecnologias, manejo, cuidado, higiene e limpeza são condições sine qua non para a constância dos tratamentos necessários.

Para o tratamento do TEA, é importante citar que, mesmo a cannabis tendo resultados e pesquisas promissoras para ser uma opção bem tolerada, segura e eficaz para aliviar os sintomas associados ao TEA, é necessário que ensaios clínicos randomizados, cegos e controlados por placebo sejam realizados para esclarecer os achados sobre os efeitos da cannabis e seus canabinóides em indivíduos com TEA. Então, a posologia para o tratamento do TEA ainda é individual, variando de paciente a paciente, os estudos realizados por Barchel e Stolar, (2019), sugerem uma dose diária de 16 mg/kg .Um dos estudos precursores do tema, realizado por Aran e Cassuto, em 2019, trabalhou com uma dose inicial de 1mg/kg até atingir a máxima de 10mg/kg. Sendo assim, a quantidade de gramas de flor por mês para o tratamento de crianças de em média 40kg, variaria de 80 a 128 g gramas de flor por mês para obter a quantidade necessária para o tratamento.

Tendo em vista as condições de contorno supracitadas, o presente estudo pretende perseguir as seguintes questões: Quais são, segundo a literatura técnica e científica, os requisitos técnico-financeiros e de manejo necessários para o auto cultivo de cannabis a fim da garantia de suprir a medicação de pacientes demandantes desse tipo de medicação?

1.3 Objetivos do Estudo

  1. . EXPLORAR AS CONCLUSÕES MAIS RECENTES DA LITERATURA
  2. CIENTÍFICA SOBRE O USO DE CANABIDIOL NO TRATAMENTO DO
  3. TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)
  4. IDENTIFICAR E CARACTERIZAR OS ELOS DA CADEIA DE AUTOPRODUÇÃO DE CANNABIS PARA O CONSUMO MEDICINAL DE PACIENTES DEMANDANTES
  5. IDENTIFICAR OS REQUISITOS LEGAIS, TÉCNICOS E OPERACIONAIS REQUERIDOS PELA CADEIA DE SUPRIMENTOS.
  6. REALIZAR O LEVANTAMENTO DE CUSTOS RELACIONADOS AO DEVIDO SISTEMA DE PRODUÇÃO, AVALIANDO O PAYBACK TIME COMPARANDO COM MEDICAMENTOS IMPORTADOS E NACIONAIS.
  7. REALIZAR UMA PROPOSTA PARA RACIONALIZAÇÃO DE CUSTOS E ASPECTOS OPERACIONAIS INERENTES À CADEIA DE PRODUÇÃO VISANDO DEMOCRATIZAR E VIABILIZAR O TRATAMENTO DOS SINTOMAS DE TEA COM CANABIDIOL.

1.4 Questões de Estudo

  1. QUAIS SÃO OS PRINCIPAIS ASPECTOS LEGAIS E NORMATIVOS
  2. REFERENTES A AUTOPRODUÇÃO DE CANNABIS PARA FINS MEDICINAIS?
  3. QUAIS SÃO AS PRINCIPAIS DIFICULDADES TÉCNICAS DE MANEJO PARA A AUTOPRODUÇÃO?
  4. FINANCEIRAMENTE HÁ VANTAGENS COMPARATIVAMENTE À AQUISIÇÃO DE MEDICAMENTOS IMPORTADOS?

1.5 Relevância do Estudo

O presente estudo é relevante para incluir na agenda acadêmica um tema tabu, discriminado por grande parte da sociedade, com benefícios comprovados dos medicamentos à base de cannabis. Também serve para sinalizar sob perspectiva técnica a complexidade da cadeia de produção, mesmo para auto consumo, contribuindo com a oferta de números capazes de assegurar os benefícios não só clínicos como financeiros da autoprodução.

1.6 Delimitações do Estudo

O presente estudo refere-se exclusivamente à autoprodução de cannabis para fins terapêuticos e medicinais sem a pretensão de estabelecer qualquer apologia e consumo com outras finalidades, como remédio de abuso por exemplo. Particularmente serão aventados os benefícios dos derivados de cannabis para os portadores do transtorno do espectro autista, tendo em vista, à inclusão dessa agenda como deficiência em que há estudos que evidenciam a melhoria da qualidade de vida desses indivíduos.

2. Metodologia da Pesquisa

Para Brizola & Fantin (2016), a produção do conhecimento, por ser feita de forma coletiva (LÉVY, 1993; 2015), requer alguns cuidados por parte de quem se propõe a realizar uma pesquisa, pois quase sempre, uma nova pesquisa pretende abordar algum viés que complemente ou que conteste aquilo que outros pesquisadores já afirmaram. Portanto, a formulação de um problema de pesquisa só se torna relevante quando o pesquisador, após uma análise crítica do estágio atual da produção científica de sua temática, consiga identificar lacunas, consensos e controvérsias sobre o tema e inserir o seu objeto de pesquisa num caminho ainda não percorrido por outros pesquisadores ou ainda buscar oferecer enfoques complementares às pesquisas em curso.

2.1 Revisão sistemática da literatura

Segundo Morandi e Camargo (2015, p. 141), a Revisão Sistemática da Literatura (RSL) é uma etapa fundamental da condução de pesquisas científicas, especialmente de pesquisas realizadas sob o paradigma do design científico. Para Kirca e Yaprac (apud MORANDI; CAMARGO, 2015, p. 142), a RSL é crucial para que possamos obter as informações desejadas em um crescente volume de resultados publicados, algumas vezes similares; outras, contraditórios. Além disso, os autores acrescentam que a RSL serve também para mapear, encontrar, avaliar criticamente, consolidar e agregar os resultados de estudos primários relevantes sobre uma questão ou tópico específico, bem como identificar lacunas a serem preenchidas, resultando em um relatório coerente ou em uma síntese (MORANDI e CAMARGO, 2015, p. 142).

Para desenvolver e fundamentar teoricamente este estudo, por meio da identificação de trabalhos e artigos, optou-se por realizar uma revisão sistemática da literatura por meio da consulta de periódicos disponíveis nas bases de dados Web of Science e PubMed. De 20 de setembro de 2022 a 04 de outubro de 2022, foram realizadas buscas por meio do Portal de Periódicos CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior).

A partir do estudo realizado por Brizola & Fantin (2016), foi possível perceber que o objetivo da revisão sistema da literatura (RSL) é formar um arcabouço tanto teórico, como prático dos artefatos que foram utilizados para a solução de determinados problemas em estudos primários e, analisar em que condições determinado artefato foi utilizado para solucionar um determinado problema específico com sucesso. Nesse estudo em questão, o desafio norteador da pesquisa será: O que a literatura acadêmica discorre sobre a utilização de canabidiol para pacientes portadores de TEA e quais são os desafios e características do cultivo e auto produção de cannabis para os pacientes demandantes?

De acordo com Santos et al (2007), a busca de evidência requer adequada definição da pergunta de pesquisa e criação de estrutura lógica para a busca bibliográfica de evidências na literatura, que facilitam e maximizam o alcance da pesquisa. Para isso, a prática baseada em evidências propõe que os problemas clínicos que surgem na prática assistencial, de ensino ou pesquisa, sejam decompostos e a seguir organizados utilizando-se a estratégia do protocolo Cochrane.

Para apoiar o levantamento das palavras ou expressões-chave, o referido protocolo propõe o acrônimo PICO que representa um acrônimo para Population, Intervention, Comparison e Outcome (População, Intervenção, Comparação e Resultados)

No Quadro 2 está sistematizado as etapas de definição das palavras-chave utilizadas referentes ao Acrônimo PICO da revisão bibliográfica de pacientes portadores de TEA e cannabis:

Quadro 2 – Palavras-chave Acrônimo PICO para pacientes de TEA e tratamentos com
cannabis. Fonte: Elaborado pelo autor

Após a escolha das palavras-chaves, foi possível definir o string de pesquisa, acrescentado dos conectores booleanos OR e AND para serem aplicados nas duas bases de dados que serão utilizadas para a consulta dos periódicos. No Quadro 3 está formulado a construção do string de pesquisa para busca avançada nas bases de dados:

Quadro 3 – Construção do String de pesquisa para busca avançada. Fonte: Elaborado pelo autor

Por meio do string elaborado no Quadro acima, foram realizadas as buscas avançadas nas bases de dados Web of Science e PubMed. Foram incluídos todos os artigos publicados até setembro de 2022, em qualquer linguagem, no formato de estudos de caso ou ensaios clínicos envolvendo seres humanos apenas. Artigos não relacionados a esse tema, como resumos, estudos e pesquisas com animais ou outras patologias foram rejeitados.

2.2 Triagem das obras relacionadas à TEA e cannabis

A pesquisa avançada realizada na base de dados Pubmed inicialmente reportou 249 resultados que, após a aplicação dos filtros indicados no Quadro nº4, resultou em 9 artigos. O mesmo string foi utilizado para a pesquisa avançada na base de dados do Web of Science, 282 artigos foram encontrados inicialmente, que após a aplicação dos filtros, inclusive filtros de remoção por duplicadas de diferentes bases, apenas 1 artigo foi selecionado. Tendo assim sido então, 10 artigos filtrados e selecionados.

Tabela 1 – Etapas de seleção e filtragem dos artigos encontrados. Fonte: Elaborado pelo autor, fonte consultada Pubmed

A partir das citações e referências citadas dos trabalhos selecionados, foi possível encontrar outros 2 artigos brasileiros relevantes para a análise. No portal do SCIELO, base de dados científica aberta, não foi possível encontrar nenhum artigo com o seguinte string, considerando que o tema da cannabis para TEA é um acontecimento recente, utilizou-se apenas a palavra-chave: ‘’autismo cannabis’’, com o objetivo de ampliar o escopo de artigos ligados aos objetivos específicos deste estudo, porém, apenas um artigo foi encontrado e esse mesmo não se mostrou relevante para o estudo em questão. A escassez na quantidade de documentos na literatura, ainda mais em bases abertas ao público, representa um desafio pois o acesso dificultado torna grande parte da população marginal às discussões e resultados obtidos.

Considerando que o tema da cannabis e do Canabidiol para o Transtorno do Espectro Autista está na vanguarda do conhecimento no meio acadêmico, mesmo com o primeiro trabalho encontrado sendo de 1974, é possível ver um hiato de 16 anos (entre 1975 até 1992) até o próxima pesquisa publicada e mesmo assim com um número de pesquisas bem singulares e pontuais.

À medida que a discussão do tema aumenta, a partir de 2010, pode-se observar um aumento no número de trabalhos publicados. Os dados indicam que os trabalhos publicados são poucos e a grande maioria recente, entre 2018 a 2022 . É muito provável que, à medida que a discussão sobre esse tema aumenta, o número de pesquisas e publicações de obras também aumente nos próximos anos. A Figura 1 ilustra a série histórica das publicações concernentes à temática.

Figura 1 – Evolução histórica das publicações científicas que relacionam TEA e cannabis na
base de dados da Pubmed. Fonte: Elaborado pelo autor

O resultado final dos trabalhos selecionados após a revisão sistemática da literatura se encontra na Tabela 2:

Tabela 2 – Trabalhos selecionados após a revisão sistemática da literatura. Fonte: Elaborado pelo autor

2.3 Triagem das obras relacionadas à auto produção de cannabis

Definidos os artigos de partida que relacionam TEA e cannabis, foi realizado o mesmo processo para realizar uma revisão sistemática da literatura relacionada à auto produção de cannabis. Para apoiar o levantamento das palavras ou expressões-chave, o referido protocolo propõe o acrônimo PICO. No Quadro 4 estão sistematizados as etapas de definição das palavras-chave utilizadas referentes ao Acrônimo PICO da revisão bibliográfica da auto produção de cannabis

Quadro 4 – Palavras-chave Acrônimo PICO para autoprodução de cannabis para uso próprio. Fonte: Elaborado pelo autor

Após a escolha das palavras-chaves, foi possível definir o string de pesquisa, acrescentado dos conectores booleanos OR e AND para serem aplicados na base de dados Web of Science. No Quadro 5 está formulado a construção do string de pesquisa para busca avançada nas bases de dados:

Quadro 5 – Construção do String de pesquisa para busca avançada. Fonte: Elaborado pelo autor

A partir da formulação do string de pesquisa apresentado no Quadro 7, foram realizadas as pesquisas na base de dados Web of Science. As pesquisas foram realizadas com o uso de palavras-chave em inglês. Inicialmente, a base reportou 133 resultados que, após a aplicação dos filtros e triagens indicados no Tabela 3, resultaram em 10 artigos como núcleo de partida.

Tabela 3 – Etapas de seleção e filtragem dos artigos encontrados no Web of Science. Fonte: Elaborado pelo autor

A partir da análise deste string, pode-se ver que o tema da autoprodução de cannabis também está na fronteira do conhecimento no ambiente acadêmico, assim como o tema do TEA e cannabis, com a primeira pesquisa científica sendo realizada em 2002 e com um baixo número de publicações científicas nos anos que seguem.

À medida que a discussão do tema aumenta, a partir de 2012, pode-se observar um aumento no número de trabalhos publicados. Os dados indicam que os trabalhos publicados são poucos e a grande maioria recente, entre 2018 a 2022 . É muito provável que, à medida que a discussão sobre esse tema aumente, o número de pesquisas e publicações de obras também aumente nos próximos anos. A Figura 2 ilustra a série histórica das publicações concernentes à temática:

Figura 2 – Evolução histórica das publicações científicas que relacionadas à cultivo e
produção de cannabis. Fonte: Elaborado pelo autor

A última etapa de seleção foi realizada através da leitura profunda do material, com o objetivo de identificar os trabalhos com maior potencial de contribuição para a elaboração de uma revisão da literatura consistente. A partir dos trabalhos analisados, por meio das citações e referências, foi possível encontrar outros 2 trabalhos que trouxeram uma aderência e incrementaram positivamente para o tema da pesquisa. O resultado final está consolidado no Quadro 6:

Quadro 6 – Trabalhos selecionados após a revisão sistemática da literatura. Fonte: Elaborado pelo autor

3. Análise e Discussão da Literatura

3.1 Apreciação crítica da literatura e correlação com os objetivos da pesquisa

De acordo com van Eck e Waltman (2010), na literatura bibliométrica, a maior atenção é dada à construção de mapas bibliométricos. A representação gráfica de mapas bibliométricos recebe consideravelmente menos atenção. Esse tipo de funcionalidade não é incorporada aos programas de computador que são comumente usados por pesquisadores bibliométricos. O programa de computador introduzido pelos autores chama-se VOSviewer, VOS significa visualização de semelhanças. VOSviewer é um programa desenvolvido para construção e visualização de mapas bibliométricos (Van ECK & WALTMAN, 2010).

O programa oferece um visualizador que permite examinar detalhadamente os mapas bibliométricos. O VOSviewer pode exibir um mapa de várias maneiras diferentes, cada uma enfatizando um aspecto diferente do mapa. A funcionalidade do VOSviewer é especialmente útil para exibir grandes mapas bibliométricos de maneira fácil de interpretar. Por meio do VOSviewer, essas redes podem ser visualizadas em velocidades e escalas inviáveis usando métodos manuais ou ferramentas de software legadas. O VOSviewer também possui recursos de mineração de texto que podem construir mapas de rede de palavras-chave co-ocorrentes provenientes de resumos e corpos de artigos de pesquisa (van Eck & Waltman, 2010).

Com intuito do aprofundamento da pesquisa, antes da utilização do software, foi realizada uma análise dos países de origem das pesquisas, conforme ilustrado na Figura 3. Os países de origem dos estudos incluídos na revisão sistemática foram: Israel (6 estudos), Brasil (6 estudos), Finlândia (4 estudos), Bélgica e Estados Unidos da América (3 estudos) e por fim, Turquia e Nova Zelândia (1 estudo).

Figura 3 – Análise dos países de origem das pesquisas. Fonte: Elaborado pelo autor

Ao ser realizada uma breve análise sobre os países de origem, foi possível notar uma grande participação de Israel nas pesquisas relacionados ao TEA e cannabis (50% das pesquisas relacionadas). Isso se deve ao fato de que cientistas israelenses realizaram pesquisas sobre as propriedades e aplicações médicas da cannabis desde a década de 1960, com notáveis descobertas feitas pela primeira vez por Raphael Mechoulam e Yechiel Gaoni da Universidade Hebraica de Jerusalém, que isolaram o THC da cannabis em 1964 e mais tarde descobriram a anandamida (ácido graxo que atua como neurotransmissor). Em Israel, a cannabis é considerada legal perante a lei para uso médico desde a década de 1990, esse é um dos principais fatores que impulsionou o número de pesquisas no local.

Ao observar as pesquisas relacionadas ao cultivo e produção de cannabis é possível verificar que a Finlândia e a Bélgica se destacam. Na Bélgica, isso se deve a diversos fatores, primeiramente as taxas de consumo de cannabis na Bélgica têm aumentado constantemente em todo o país desde o século 20, e o cultivo de cannabis continua a se expandir rapidamente em escala nacional. Apesar do retrabalho legal significativo das leis relacionadas à cannabis desde 2010, alguns elementos do consumo e cultivo de cannabis são considerados dentro de uma “área legal cinzenta” da lei belga, aliado disso, o esforço legal para restringir o cultivo diminuiu gradualmente, resultando em um aumento do crescimento e consumo de cannabis e produtos relacionados à cannabis

Ao analisar a Finlândia vemos um caso mais ambivalente, o cânhamo foi a principal cultura da Finlândia nos séculos 18 e 19, mas o século 20 trouxe a proibição para muitos países, e a Finlândia não foi exceção. Atualmente é ilegal usar ou possuir cannabis na Finlândia para fins recreativos. Para uso medicinal, a cannabis é legal desde 2012. Porém, de acordo com o THL (Instituto Nacional de Saúde e Bem-Estar) o consumo e o cultivo estão em crescimento no país visto que houve uma queda dos esforços para realizar as punições e que houve um aumento do interesse do país na legalização. Na prática, a posse de até 10 gramas de haxixe ou 15 gramas de cannabis é considerada uso pessoal e acarreta multa de 10 a 20 dias de prisão. Enquanto isso no Brasil, há casos como da jovem Irene, presa aos 18 anos com 4 gramas de cannabis e que havia sido condenada em primeira instância pela Justiça de Avaré (interior de SP) a 8 anos e 10 meses de prisão por tráfico de drogas e associação ao tráfico, obteve vitória parcial na segunda instância e teve a pena de prisão reduzida para 1 ano, 11 meses e 10 dias de prisão e multa.

Também é importante observar a grande participação do Brasil nas pesquisas, compondo 6 de 24 (25%) das pesquisas analisadas. No Brasil, não existe mais a pena de prisão ou reclusão para o consumo, armazenamento ou posse de pequena quantidade de drogas para uso pessoal, inclusive a cannabis, porém, cada juiz deve considerar os seguintes fatores: o tipo de droga (natureza), a quantidade apreendida, o local e as condições envolvidas na apreensão, as circunstâncias pessoais e sociais, a conduta e os antecedentes do usuário.

Figura 4 – Comparação Evolução histórica das publicações científicas que relacionam TEA,
canabidiol e produção de cannabis. Fonte: Elaborado pelo autor

A discrepância observada no volume de pesquisas entre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) e o canabidiol em comparação com o autocultivo e a produção de cannabis pode
ser atribuída a uma confluência de fatores. O TEA é uma condição que afeta um número significativo de indivíduos globalmente, e o canabidiol tem emergido como um potencial tratamento para os sintomas associados ao TEA. Esta relevância clínica pode ter catalisado um maior interesse e financiamento para pesquisas nesta área, resultando em um volume maior de publicações científicas.

Além disso, a legalidade e a regulamentação do autocultivo e da produção de cannabis têm sido historicamente mais rigorosas em muitos países. Esta restrição legal pode ter limitado a quantidade de pesquisas realizadas nesta área. A legalidade do autocultivo de cannabis varia consideravelmente de país para país, e esta variabilidade pode ter impactado a quantidade de pesquisas realizadas e publicadas.

A percepção pública também desempenha um papel crucial na direção da pesquisa científica. O canabidiol tem sido percebido como uma substância medicinal potencialmente benéfica, o que pode ter levado a um maior interesse e financiamento para pesquisas nesta área. Por outro lado, o autocultivo e a produção de cannabis podem ser vistos de maneira mais controversa, o que pode ter limitado o interesse e o financiamento para pesquisas nesta área.

No entanto, é imperativo reconhecer a importância da pesquisa em ambas as áreas. O autocultivo e a produção de cannabis são particularmente relevantes para pacientes que enfrentam dificuldades para acessar cannabis medicinal de alta qualidade devido a restrições legais ou financeiras. A pesquisa nesta área pode ajudar a melhorar os métodos de cultivo e produção, levando a produtos de cannabis medicinal de maior qualidade. Portanto, é crucial que mais pesquisas sejam realizadas sobre o autocultivo e a produção de cannabis. Isso pode ajudar a melhorar o acesso dos pacientes à cannabis medicinal de alta qualidade, o que pode, por sua vez, melhorar os resultados do tratamento para condições como o TEA. Além disso, a pesquisa nesta área pode contribuir para debates políticos e regulatórios informados sobre o autocultivo de cannabis.

De forma a buscar ilustrar a revisão sistemática da literatura realizada com base nos objetivos propostos pela pesquisa será utilizado o VOSViewer, sendo assim possível identificar os padrões e similaridades entre as pesquisas encontradas. Identificaram-se 3 macro-atributos, conforme Figura 5, os quais possibilitaram analisar as palavras-chave de cada um desses elementos.

Figura 5 – Identificação dos macro-atributos relacionados à TEA e cannabis. Fonte: Elaborado pelo autor

Foram sistematizadas pelo software VOSViewer 21 palavras-chave, que puderam ser agrupadas em 3 macro-atributos de acordo com os quadrantes na Figura 3 em destaque. Esses elementos impactam diretamente o objetivo central desta pesquisa. Dessa forma, os macroatributos identificados foram: Cultivo de cannabis, Transtorno do Espectro Autista e CBD e Tendências Globais. Todos os elementos foram classificados, conforme ilustrado na Figura 6:

Figura 6 – Classificação dos Elementos de TEA, CBD, Cultivo e Produção. Fonte: Elaborado pelo autor

A partir dos dados gerados pela Figura 5, foi possível elaborar o gráfico da Figura 6, onde os elementos da pesquisa estão classificados conforme a respectiva incidência com base na quantidade de autores que os referenciam. Essa Figura é conhecida como Princípio de Pareto, de acordo com Ivancic (2014), o princípio de Pareto (80:20) foi adotado em muitos campos para explicar que um pequeno número de causas pode ser responsável por uma grande porcentagem de efeitos. Esse princípio pode ser aplicado para indicar a prioridade da resolução de problemas e determinar a direção do desenvolvimento de negócios, separando os problemas vitais dos triviais.

Figura 7 – Pareto dos Elementos TEA e Cultivo de cannabis na Literatura. Fonte: Elaborado pelo autor

Foi possível perceber diversos pontos importantes após a aplicação do Princípio de Pareto são eles:

  1. Os 03 elementos que mais se destacam estão atrelados a um macro-atributo único, ‘’Tendências Globais’’. Os elementos cannabis, Saúde e Uso medicinal representam 24% da quantidade de vezes que tais elementos foram mencionados na literatura.
  2. Os 02 elementos que mais se destacam, cannabis e Saúde tem o mesmo percentual de menções na literatura, esse fato demonstra que grande parte dos estudos na literatura têm sido realizados com intuito de analisar e avaliar os efeitos medicinais da planta. A cannabis possui um total de 565 constituintes, incluindo 120 fitocanabinóides, então existe muito potencial não explorado de interesse farmacológico para produção de remédios e novos tratamentos.
  3. Os elementos mais citados, que representam 80% do total de citações são: cannabis, Saúde, Uso Medicinal, Canabinóides, Canabidiol, Comportamento, Ansiedade, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Crianças, Convulsão, Sistema Endocanabinóide, Cultivo de cannabis, Política de cannabis e Tendências Globais.
  4. Dentre as pesquisas que relacionam TEA e cannabis, apenas 1 das 12 (8%) analisadas aborda o tema conjuntamente com o cultivo e política de cannabis, isso mostra que há um grande vazio sobre o tema em particular. Em contrapartida a isso, ao analisarmos as pesquisas sobre cultivo e autoprodução vemos que 100% dos estudos mencionam os elementos de Saúde e 83% mencionam o elemento de Uso Medicinal.
  5. Ao se analisar os elementos que representam 80% do total de citações, vemos que, dos 14 elementos, vemos que 3 elementos são do Macro-Atributo de Cultivo e Autoprodução, 3 elementos são do Macro-Atributo de Tendências Globais e 8 elementos são do Macro-Atributo de TEA e CBD. Tal análise sinaliza que há um atributo de maior destaque (TEA e CBD), mesmo com os macro-atributos tendo sua devida importância e sendo complementares, foi possível notar que as pesquisas com enfoque em saúde não abordam sobre o tema do Cultivo e Produção.

As seções subsequentes oferecem uma discussão da literatura acadêmica sobre os constructos extraídos da literatura.

3.2 TEA e CBD

O transtorno do espectro autista (TEA) é um transtorno multifatorial e invasivo do neurodesenvolvimento, definido pelos sintomas centrais de prejuízo significativo na interação social e na comunicação, bem como padrões de comportamento repetitivos e restritos (MOJDEH; GAITANIS, 2020). Os TEAs são caracterizados por interação social alterada, comunicação verbal e não verbal comprometida, comportamentos estereotipados e repetitivos, muitas vezes associados a comorbidades sociais e ansiedade generalizada (JUNIOR; ALBUQUERQUE, 2022) (MANNION, 2013).

De acordo com Fusar-Poli (2020), durante as últimas três décadas, houve um aumento de três vezes no número de crianças diagnosticadas com TEA. Atualmente, esse transtorno afeta 1 em 54 indivíduos (MAENNER et al. 2020).

Segundo Júnior, Medeiros e dos Santos (2021), não há tratamentos comprovados para tratar as características principais do TEA. Os tratamentos são apenas sintomáticos, visando
principalmente reduzir os sintomas de agressividade e agitação psicomotora, geralmente com uso de medicamentos psicotrópicos para melhorar essas alterações comportamentais.

De acordo com Junior e Albuquerque (2020), o tratamento médico convencional inclui várias drogas psicotrópicas, como antipsicóticos atípicos, inibidores seletivos da recaptação da serotonina, estimulantes e ansiolíticos; não tratam o transtorno, mas visam eliminar ou reduzir comportamentos e sintomas indesejados (HIRBIKOSKI, 2016). Além disso, podem levar a efeitos colaterais graves, como nefropatia, hepatopatia, síndromes metabólicas, entre outros. Inclusive, 40% das crianças com autismo e comportamentos disruptivos não respondem bem ao tratamento médico e comportamental padrão (ADLER, et al, 2015). Tudo isso acarreta com um alto custo para o indivíduo e também para a sociedade, fazendo com que a expectativa de vida de tais indivíduos seja reduzida em 20 anos ao se comparar com a média da população. (GOMES 2012)

Conforme citado por Bilge e Ekici (2021), o que provoca o TEA permanece amplamente desconhecido. Vários fatores genéticos, perinatais e ambientais parecem estar envolvidos. Alguns pesquisadores evidenciaram um desequilíbrio no sistema endógeno de neurotransmissão, como o serotoninérgico, o ácido gama aminobutírico (GABA) e o sistema endocanabinóide (ECS), que regulam funções como respostas emocionais e interações sociais normalmente prejudicadas no TEA.

O sistema endocanabinóide é um sistema de sinalização celular composto pelos receptores canabinóides, seus ligantes endógenos (endocanabinóides, principalmente anandamida e 2-AG), transportadores e enzimas que produzem e degradam os endocanabinóides (ARAN, et. al 2021). Endocanabinóides são substâncias que fazem parte do Sistema Endocanabinóide (ECS), são moduladores-chave de respostas socioemocionais, cognição, suscetibilidade a convulsões, nocicepção e plasticidade neuronal, e todas essas respostas são alteradas no autismo.

Dentro do ECS, existem dois tipos primários de receptores canabinóides, CB1 e CB2, cada um com função e distribuição tecidual única (MARCO, 2012). Os receptores CB1 e CB2 pertencem à superfamília de receptores acoplados à proteína G e são ligados por endocanabinóides, fitocanabinóides ou canabinóides sintético. (LU & POTTER, 2017)

Conforme citado por Mojdeh e Gaitanis (2020), os receptores CB1 são expressos principalmente no sistema nervoso central, particularmente nos gânglios da base, cerebelo, hipocampo e córtex cerebral. Os receptores CB1 também foram encontrados no tecido periférico, embora em concentrações muito mais baixas Em mamíferos, altas concentrações de CB1 são encontradas na área do cérebro que regula o apetite, memória, extinção do medo, respostas motoras e posturais como hipocampo, gânglios da base, amígdala basolateral, hipotálamo e cerebelo (ARAN et al. 2019; MC PARTLAN et al. 2014).

Os receptores CB2 são expressos principalmente no tecido envolvido no sistema imunológico, incluindo baço, amígdalas, timo e tecidos linfóides, bem como na superfície dos leucócitos (MOJDEH; GAITANIS, 2020). Os dados indicam que o receptor canabinóide tipo 2 (CB2) está ligado a uma variedade de eventos funcionais imunológicos, no entanto, pode desempenhar um papel funcionalmente relevante no sistema nervoso central (ARAN et al. 2019)

A sinalização endocanabinóide ocorre em uma direção retrógrada; ou seja, a sinalização é iniciada nos neurônios pós-sinápticos e atua nos terminais pré-sinápticos. Ao contrário dos neurotransmissores clássicos, os endocanabinóides não são armazenados. Eles são produzidos sob demanda mediante estimulação de células pós-sinápticas (ARAN et al. 2019; ZAMBERLETTI et al. 2017).

O CBD exibe uma baixa afinidade para os receptores CB1 e CB2. O CBD facilita a neurotransmissão excitatória do glutamato e GABA inibitória em todo o cérebro por meio de uma ação agonista (um agonista é uma substância capaz de se ligar a um receptor celular e ativá-lo para provocar uma resposta biológica) no receptor TRPV1 (PRETZSCH et al. 2019; Mc PARTLAN et al. 2014). Além disso, o CBD pode aumentar a transmissão GABAérgica ao agonizar o receptor 55 acoplado à proteína G (GPR55), especialmente nos gânglios da base. Acredita-se que o CBD seja um agonista nos receptores pré-frontais de serotonina 5-HT1A (Castillo et al. 2012). Na Figura 8 retirada da pesquisa de Bilgi e Ekici é possível notar os mecanismos de ação do CBD e suas diversas interações:

Figura 8 – CBD e seus mecanismos de ação. Fonte: Traduzido de Bilge e Ekici (2021)

Outro mecanismo de ação pode ser via vasopressina e ocitocina. A administração de ocitocina reduz o estresse, a ansiedade e a depressão em animais. O CBD leva ao aumento da liberação de vasopressina e ocitocina; assim, poderia afetar positivamente os sintomas centrais do TEA (BILGE; EKICI, 2021).

Outro mecanismo de ação do CBD é atuar como um antagonista do receptor de dopamina, o que pode facilitar seu uso como antipsicótico (DOS SANTOS et al. 2019; Weia et al. 2015). O CBD também parece ter propriedades ansiolíticas, antipsicóticas, antiepilépticas e neuroprotetoras que podem ser mediadas por receptores como serotonina 5-HT1A, glicina α3 e α1, TRPV1, GPR55, GABAA e PPARγ e pela inibição da recaptação de adenosina

De acordo com Mojdeh e Gaitanis (2020), o CBD exibiu ações anticonvulsivantes, ansiolíticas, anti tumorigênicas, anti inflamatórias e imunorreguladoras. Isso, em combinação com a ausência de efeitos psicoativos, tornou o CBD o principal alvo de muitos esforços de pesquisa para identificar potenciais benefícios terapêuticos.

A fim de auxiliar os pacientes acometidos por esse transtorno, há um grande interesse em descobrir novas alternativas terapêuticas para superar a ineficácia de alguns psicotrópicos convencionais utilizados no tratamento do TEA ou mesmo suspendê-los, diminuindo os efeitos adversos associados a esses medicamentos. (GOMES, 2012). Dentre os possíveis tratamentos farmacológicos, diversos pesquisadores começaram a explorar outras alternativas terapêuticas, como o uso de substâncias derivadas da cannabis sativa.

Conforme citado por Amaro Júnior, Medeiros e dos Santos (2021), os fitocanabinóides, principalmente o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), presentes em diversas subespécies do gênero cannabis, têm sido amplamente estudados como uma potencial alternativa terapêutica para o tratamento dos sintomas associados ao TEA, pois ativam os receptores canabinóides presentes no sistema nervoso central, aliviando alguns sintomas associados ao autismo. Mesmo com a cannabis se tornando um tema de grande interesse para cientistas e farmacologistas, ainda é difícil encontrar grandes estudos clínicos com humanos devido aos aspectos restritivos e legais que envolvem o tema.

Esta revisão sistemática buscou investigar se produtos à base de cannabis poderiam trazer algum benefício para pacientes com TEA. Dos doze estudos analisados, foi possível observar que os produtos de cannabis utilizados foram capazes de melhorar diversos sintomas relacionados ao TEA, por exemplo, automutilação e acessos de raiva, hiperatividade, problemas de sono, ansiedade, agitação psicomotora, irritabilidade, agressividade, sensibilidade, cognição, atenção, interação social, alteração de linguagem, depressão e principalmente inquietação.

Na pesquisa de Aran et. al. (2018), a eficácia do tratamento foi avaliada usando uma escala de impressão global respondida pelo cuidador. Os pacientes foram tratados com extratos de cannabis oralmente na proporção de 20:1 CBD:THC em 7 a 13 meses de uso. O estudo mostrou que houve uma melhora significativa nos problemas comportamentais relatados em 61% das crianças, melhora nos níveis de ansiedade em 39% e nos problemas de comunicação de 47%. Também se chegou à conclusão de que doses mais elevadas de THC (6:1 THC:CBD) podem levar a um episódio psicótico.

No estudo de Barchel et. al. (2018) também foi utilizado óleo por via oral na proporção 20:1 CBD:THC por uma média de 66 dias. Foram realizadas entrevistas e questionários com os cuidados em busca de observar as alterações nos sintomas. As crises de automutilação e raiva (n = 34) melhoraram em 67,6% e pioraram em 8,8% dos participantes. Os sintomas de hiperatividade (n = 38) melhoraram em 68,4%, não mudaram em 28,9% e pioraram em 2,6% dos indivíduos. Os problemas de sono (n = 21) melhoraram em 71,4% e pioraram em 4,7%. A ansiedade (n = 17) melhorou em 47,1% e piorou em 23,5% dos participantes. Os efeitos adversos foram considerados leves, sendo eles principalmente sonolência e alteração do apetite. O estudo de Hacohen et al. (2022) também utilizou a mesma proporção de óleo e os resultados da pesquisa indicam que o tratamento com cannabis rica em CBD pode produzir melhorias, principalmente nas habilidades de comunicação social, que eram visíveis mesmo ao usar avaliações clínicas padronizadas.

De acordo com a pesquisa realizada por Fleury-Teixeira et. al. (2019), a proporção de extrato utilizado foi de 75:1 CBD:THC, 80% dos pacientes melhoraram em mais de 30% dos três itens avaliados: distúrbios do sono, crises epilépticas e alterações comportamentais. Além disso, foram relatados sinais de melhora do desenvolvimento motor; comunicação e interação; e desempenho cognitivo. Os efeitos adversos foram: sonolência e irritabilidade moderadas (três casos cada), diarreia, aumento do apetite, hiperemia conjuntival e aumento da temperatura corporal (um caso cada). Todos esses efeitos colaterais foram leves e/ou transitórios.

Conforme demonstrado por Schleider et. al. (2019), o tratamento com ingestão oral na proporção de 30% CBD e 1,5% THC também parece ser uma opção bem tolerada, segura e aparentemente eficaz para aliviar os sintomas principalmente: convulsões, tiques, depressão, inquietação e ataques de raiva. O estudo realizado por da Silva Junior et. al. (2021) também chegou à conclusão de que o extrato de cannabis rico em CBD é seguro e tolerável, visto que menos de 10% dos pacientes apresentaram efeitos colaterais considerados leves, como ganho

de peso, cólica e leve tontura. Além disso, concluiu-se que o extrato de cannabis rico em CBD apresentou melhora significativa na interação social, ansiedade e agitação psicomotora quando comparado às crianças que receberam o placebo e o extrato de cannabis rico em CBD não interferiu na qualidade do sono das crianças. Se tratando de epilepsia, conforme analisado por Mojdeh e John (2020), 91% (n=20) dos pacientes portadores de TEA relataram melhoria no controle das crises.

Um fato interessante observado pelo estudo realizado por da Silva Junior (2020), foi de que as crianças que receberam o extrato de cannabis rico em CBD apresentaram uma melhora significativa da agitação psicomotora, passaram a aceitar mais refeições por dia, melhoram bastante na interação social e ficaram menos ansiosas, quando comparada às crianças do grupo placebo, sugerindo melhora de alguns sintomas associados ao Quadro de TEA. Esse resultado pode estar relacionado à diminuição dos níveis de ansiedade dessas crianças observados, após administração do extrato. Portanto, observa-se que o extrato de cannabis rico em CBD é eficaz e pode ser utilizado, como adjuvante terapêutico.

Um dos poucos estudos que realizou um ensaio clínico randomizado e controlado foi feito por Aran et al. (2021), nessa pesquisa foi testado extrato na proporção de 20:1 CBD:THC por volta de 12 semanas, esse estudo forneceu evidências de que os extratos são bem tolerados porém, mesmo com melhoria em algumas pontuações totais dos questionários (DSM-5) as evidências da eficácia ainda são consideradas insuficientes e mais testes são recomendados. A pesquisa realizada por Bilgi e Ekici, também chegou à conclusão de que o uso de doses mais baixas de CBD e traços de THC parecem ser promissoras no tratamento dos sintomas do TEA.

A pesquisa de Schnapp et al. (2022) foi a única que avaliou exclusivamente os efeitos no sono, foi descoberto que os tratamentos ricos em CBD são considerados seguros e não prejudicam o sono das crianças. Não houve uma direta melhoria nos aspectos do sono medidos pelo CSHQ incluindo resistência à hora de dormir, atraso no início do sono e duração do sono. Notavelmente, houveram melhorias nos sintomas centrais do autismo.

No Quadro 7 é possível observar mais detalhadamente a amostragem, método, resultado e conclusão de cada um dos estudos analisados:

Quadro 7 – Trabalhos selecionados após a revisão sistemática da literatura. Fonte: Elaborado pelo autor

É importante destacar que, como qualquer fármaco, o uso da Cannabis também pode ter efeitos colaterais e potencial toxicidade. Embora muitos estudos sugiram que os efeitoscolaterais da Cannabis podem ser menores do que os de muitas substâncias sintéticas, ainda é crucial considerar esses riscos ao avaliar o uso terapêutico da Cannabis.

Por exemplo, uma pesquisa recente mostrou uma associação significativa entre o uso de Cannabis Sativa e comprometimento histopatológico de diferentes sistemas do organismo (OLIVEIRA et al.; 2022). Esses achados reforçam a necessidade de uma compreensão mais profunda dos possíveis efeitos adversos da Cannabis, especialmente quando usada a longo prazo ou em altas doses.

No entanto, é importante notar que a toxicidade e os efeitos colaterais podem variar significativamente entre os indivíduos, dependendo de fatores como a dosagem, a forma de administração, a duração do uso, a presença de condições de saúde coexistentes e a susceptibilidade individual. Portanto, a decisão de usar Cannabis para o tratamento dos sintomas do TEA deve sempre ser tomada com base em uma avaliação cuidadosa dos benefícios e riscos potenciais para o indivíduo.

Esta revisão sistemática teve como objetivo investigar se os produtos à base de cannabispoderiam beneficiar pessoas com TEA. Nos 12 estudos revisados, observou-se que os produtosde cannabis usados melhoraram alguns dos sintomas associados ao TEA, como automutilaçãoe acessos de raiva, hiperatividade, problemas de sono, ansiedade, agitação psicomotora,irritabilidade, agressividade, sensibilidade, cognição, concentração, interação,comprometimento da fala, depressão e, principalmente, disforia (desconforto e angustia intenso.

Os resultados promissores encontrados nesta revisão sistemática podem estar associados à ação dos fitocanabinóides presentes na planta na regulação do sistema endocanabinóide. O sistema endocanabinóide é um sistema biológico único que afeta uma ampla gama de processos biológicos, incluindo o desenvolvimento e o funcionamento do cérebro. Consiste em receptores canabinóides (CB1 e CB2, expressos principalmente no cérebro e na periferia, respectivamente), seus ligantes endógenos (endocanabinóides, principalmente AEA e 2- araquidonoilglicerol [2-AG]) e enzimas para síntese e degradação de ligantes (MARCO, 2012) (McLAUGHLIN, 2012). Os endocanabinóides são moduladores chave de respostas socioemocionais, cognição, suscetibilidade a convulsões, nocicepção e plasticidade neuronal, todos afetados no TEA. (TREZZA, 2012, p. 1-12)

A cannabis e os canabinóides têm efeitos muito promissores no tratamento dos sintomas do autismo e podem futuramente ser utilizados como importantes alternativas terapêuticas para o alívio desses sintomas, principalmente automutilação e raiva, hiperatividade, problemas de sono, ansiedade, inquietação, sintomas de humor como agitação, inquietação e agressividade e aumento da sensibilidade sensorial, cognição, atenção, interação social, linguagem, perseverança e depressão. Apesar disso, ainda é de extrema necessidade que mais pesquisas sejam realizadas, por exemplo, ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo, bem como estudos longitudinais. Tais pesquisas são necessárias para esclarecer os achados sobre os efeitos da cannabis e seus canabinóides em indivíduos portadores do TEA.

A cannabis só é prescrita de forma individual, sendo o TEA a segunda maior condição com uso disponível, superado apenas pela epilepsia. Portanto, é necessário analisar o que temos atualmente na literatura científica, pois a cannabis já é usada mundialmente como medicamento farmacêutico para o espectro do autismo. De acordo com Oliveira (2021),’’ o uso de cannabis medicinal aumentou nos últimos anos devido a sua eficácia no tratamento de morbidades que afetam consideravelmente a qualidade de vida de muitas pessoas e seus familiares, que buscam nessa terapia a diminuição dos transtornos gerados por diversas enfermidades. Dessa forma, os movimentos sociais, através do associativismo e ativismo, acendem a flama do uso medicinal de cannabis com acesso democratizado e buscando a construção da autonomia dos usuários, além disso, muitos países no mundo discutem esse tema de forma ampla baseados na ciência’’.

Conforme citado por Oliveira (2021), ‘’a falta de regulamentação do cultivo e dos procedimentos de produção de remédio de forma artesanal, sujeitam as famílias beneficiadas com as propriedades desta planta a consequências penais e a formulações não eficazes devido à padronização inadequada e falta de controle de qualidade.

3.3 Tendências globais da utilização e cultivo de cannabis

A cannabis é uma questão de saúde pública, é uma das plantas mais cultivadas e utilizadas. Em 2018, a prevalência do uso de cannabis entre pessoas de 15 a 64 anos foi estimada em 3,8% (2,7%-4,9%), ou cerca de 200 milhões de pessoas que usam cannabis globalmente (DEGENHARDT, FERRARI & HALL, 2017).

Segundo Fasesan e Carson (2022), a cannabis foi adotada por razões econômicas, razões médicas, por ser fonte de fibras têxteis, comestíveis, por produzir compostos narcóticos e psicoativos e também por produzir fibras de cânhamo para agentes bioplásticos e antibacterianos. Além disso, o CBD tem propriedades antioxidantes, antiinflamatórias e analgésicas e é altamente eficaz como composto sedativo, ansiolítico, anticonvulsivo, hipnótico e anti-náusea.

O uso regional é maior na América do Norte, Oceania e África Ocidental, com uma prevalência de 10 a 25%, seguido pela Europa e outras regiões. Além disso, o uso de cannabis é mais comum entre adolescentes e jovens adultos (por exemplo, 15 a 25 anos). Nesse grupo, a prevalência é de 25% ou mais em regiões de alto uso, muitas vezes maior do que o uso de tabaco. (CARLINER, BROWN, SARVET, & HASIN, 2017; ESPAD Group, 2016; UNITED NATIONS OFFICE ON DRUGS AND CRIME, 2020).

Conforme citado por Perini e Prochmann (2016), o uso dos componentes extraídos da cannabis, em especial o canabidiol (CBD), é indicado, de acordo com estudos científicos, para o tratamento de transtornos e sintomas psiquiátricos, além de doenças graves. Dentre elas, destaca-se o uso nos casos de câncer, ansiedade, TEA, esquizofrenia, crises epilépticas e convulsivas, esclerose múltipla e dores associadas a doenças que acometem o sistema nervoso central. Isso fez com que o uso de cannabis para fins terapêuticos fosse legalizado ou descriminalizado em muitas jurisdições (NEWTON-HOWES, 2017).

De acordo com Spindle e Cone (2018), o uso medicinal da planta foi aprovado em mais de 30 estados dos EUA e o uso recreativo foi permitido em 9 estados. Vários países da União Europeia e de outros lugares também aprovaram a cannabis para uso medicinal (por exemplo, Austrália) e não medicinal (por exemplo, Uruguai e Canadá). Correspondendo a essas mudanças de política e ao surgimento de novas pesquisas, o dano percebido associado ao uso de cannabis diminuiu.

Figura 9 – Estado legal da cannabis para uso medicinal no mundo, fonte: Wikipedia
contributors. Legality of cannabis. Fonte: Wikipedia, The Free Encyclopedia.
Figura 10 – Estado legal da posse de cannabis para uso recreativo no mundo. Fonte: Wikipedia contributors. Legality of cannabis.

3.4 Descompasso entre a permissividade, inclusive para uso terapêutico, e a ilegalidade

A política de cannabis tem evoluído gradualmente nos países ocidentais, com a expectativa de uma compreensão mais profunda dos benefícios e segurança da planta nos próximos anos (PERINI E PROCHMANN, 2016). No Brasil, a importação de produtos à base de canabidiol foi permitida em 2015 e, em 2019, foi aprovada a criação de uma nova categoria de produtos derivados de cannabis. No entanto, o uso terapêutico desses produtos é considerado experimental e restrito a casos em que outros medicamentos se mostraram ineficazes (BRITO, CARVALHO, GANDRA, 2017).

A legalização da cannabis medicinal tem sido objeto de debate, com oposição argumentando que muitos usuários estão justificando o uso recreativo alegando fins médicos (EISENSTEIN, 2015; WILKINSON & D’SOUZA, 2014). No entanto, pesquisas sugerem que muitos usuários de cannabis medicinal estão tratando problemas de saúde diagnosticados por um médico (HAKKARAINEN et al., 2015).

Com a legalização da cannabis medicinal, os pacientes agora questionam seus profissionais de saúde sobre a eficácia da cannabis para dores e outras doenças (FASESAN e CARSON, 2022). Vários estudos, incluindo vários ensaios clínicos randomizados e controlados, provaram a farmacoterapia eficaz da cannabis para a dor (HILL, PALASTRO, JOHNSON, DITRE, 2017).

Nos EUA, a luta dos cidadãos pela legalização da cannabis medicinal e recreativa levou à promulgação de leis sobre a cannabis. O público opinou que o uso de cannabis era comum entre jovens adultos, apesar da ilegalidade, e que a cannabis causa menos danos do que álcool, tabaco e opióides (FASESAN e CARSON, 2022).

No Canadá, o Governo Canadense identificou vários objetivos para a legalização da cannabis, incluindo: proteger a saúde dos jovens restringindo o acesso à cannabis; prevenção de atividades ilícitas, permitindo a produção lícita de cannabis e garantindo sanções legais apropriadas; reduzir a carga sobre o sistema de justiça criminal; fornecimento de cannabis de qualidade controlada; e garantir que os canadenses entendam os riscos da cannabis (HAMMOND, 2020).

Como a cannabis recreativa só foi legalizada recentemente em alguns estados dos EUA e no Uruguai, há relativamente poucas evidências fortes de seus efeitos e as evidências disponíveis são consideradas inconclusivas (HAMMOND, 2020).

O impacto da legalização da cannabis depende não apenas de sua legalização, mas também de como ela é regulamentada dentro da estrutura legal. Assim, um dos principais objetivos do Estudo Internacional de Política de Cannabis (ICPS) foi examinar as diferenças nas estruturas emergentes de controle da cannabis, comparando as províncias canadenses que legalizaram a cannabis não medicinal com os estados dos EUA (HAMMOND, 2020).

No Brasil, apesar da permissão para o uso de derivados da cannabis para fins terapêuticos, o custo dos produtos é economicamente inviável, muito devido aos elevados custos de importação (OLIVEIRA, 2021). A alternativa de autocultivo abriu o caminho para muitas famílias, dando autonomia e diminuindo os custos, além de garantir os insumos para a produção de óleos artesanais (OLIVEIRA, 2021).

Em suma, a legalização da produção e venda de cannabis para fins não medicinais é um dos desenvolvimentos mais importantes na política de drogas do último século. O impacto na saúde pública é moldado pela forma como os mercados legais são regulados. As evidências sobre a eficácia de políticas específicas de cannabis serão importantes para informar a evolução futura das políticas de cannabis e avaliar o impacto geral da legalização na saúde pública (HAMMOND, 2020).

3.5 Cultivo de cannabis

3.5.1 Complexidade bioquímica da cannabis

A partir da década de 90, a produção de cannabis mudou gradualmente, embora em graus variados, de países produtores tradicionais para um maior número de países, que são capazes de abastecer o seu próprio mercado interno, em diferentes níveis (ALVAREZ, GAMELLA, & PARRA, 2016; ATHEY, BOUCHARD, DECORTE, FRANK, & HAKKARAINEN, 2013; BARRATT et al., 2012; BELACKOVA & ZABRANSKY, 2014; Decorte, 2007, 2010a, 2010b; EMCDDA, 2012; HOUGH et al., 2003; POTTER et al., 2015; POTTER, BOUCHARD, & DECORTE, 2011; WILLIS, 2008). A maior parte da cannabis agora é produzida internamente nos Estados Unidos (GETTMAN, 2006; REUTER, CRAWFORD, CAVE, 1988; WEISHEIT, 1992), Canadá, Nova Zelândia, Holanda e Reino Unido. Alguns outros países europeus, incluindo a Bélgica, também aderiram a esta tendência.

O mercado belga de cannabis também viu um aumento na produção doméstica, especialmente desde o início dos anos 1980, com relatórios indicando uma dependência reduzida da produção externa. Esse fenômeno, conhecido como “substituição de importações”, pode ser explicado por fatores como a demanda contínua, os avanços tecnológicos, a existência de “growshops” , que são lojas especializadas na venda de itens para cultivo de cannabis, esse movimento foi influenciado pela forte cultura canábica na região e a grande disponibilidade de informações sobre técnicas de cultivo (POTTER et al., 2015).

Até recentemente, a pesquisa sobre o cultivo de cannabis consistia principalmente em estudos de países singulares. Dada a popularidade mundial da cannabis e a recente disseminação do cultivo de cannabis para países que tradicionalmente não usam técnicas de cultivo indoor para produzir cannabis ou não produzem no geral, agora é viável a produção estudos comparativos internacionais (e.g. NGUYEN & BOUCHARD, 2010; POTTER & DANN, 2005; WEISHEIT, 1991; BELACKOVA & VACCARO, 2013; BELACKOVA et al., 2015; BOUCHARD, 2007; BOUCHARD et al., 2009; DECORTE, 2008, 2010; DOUGLAS & SULLIVAN, 2013; HAKKARAINEN, FRANK, PERÄLÄ & DAHL, 2011; HAKKARAINEN, PERÄLÄ & METSO, 2011; HAMMERSVIK et al., 2012; MALM, 2006; PLECAS et al., 2005; POTTER, 2010; WEISHEIT, 1992; WILKINS & CASSWELL, 2003). Com o advento do cultivo interno e a disponibilidade de conhecimentos técnicos e técnicas de cultivo, desde 2011 a cannabis já está sendo produzida em larga escala na maioria dos países desenvolvidos. (POTTER et al. 2011)

De acordo com Chandra et al. (2016), a cannabis é uma espécie quimicamente complexa devido à presença de uma classe única de compostos terpenos fenólicos, os canabinóides ou fitocanabinoides. Até o momento, foram reportados 565 constituintes, incluindo 120 fitocanabinoides, em Cannabis. O THC (tetrahidrocanabinol) é o principal constituinte responsável pelos efeitos psicoativos da planta, mas outros canabinoides como o CBD (cannabidiol), o CBDV (cannabidivarin), o THCV (tetra hidro cannabivarina) e o CBG (cannabigerol) também têm mostrado interesse farmacêutico. Esses canabinóides são encontrados na forma de ácidos canabinóides, como o THCA (ácido tetrahidrocanabinólico) e o CBDA (ácido canabiolico), em material vegetal fresco, mas ao envelhecer ou aquecer o material, eles são convertidos em suas formas neutras. Quando esses ácidos são convertidos em suas formas neutras, ocorre a perda do grupo carboxila, o que leva à formação de compostos químicos diferentes. Isso pode resultar em mudanças nas propriedades físicas e químicas dos compostos, bem como em seus efeitos biológicos.

Os canabinóides são sintetizados e armazenados principalmente em estruturas chamadas tricomas glandulares (Figura 11), que desempenham um papel importante na defesa da planta de Cannabis. A produção de canabinóides é regulada por uma série de fatores, incluindo o ambiente, a genética da planta e os níveis de hormônios. A produção de canabinóides também pode ser aumentada através de técnicas de cultivo, como a manipulação da temperatura e da umidade, bem como através do uso de substratos e fertilizantes específicos. A obtenção de produtos de Cannabis de qualidade farmacêutica é um desafio devido às variabilidades na produção de canabinóides, bem como à falta de padrões e regulamentações consistentes para o cultivo da planta (CHANDRA et al., 2016).

Figura 11 – Uma pubescência de tricomas de Cannabis na superfície da cannabis: um único
tricoma. O CBD e outros canabinóides são secretados e armazenados na cabeça resinosa no
topo do caule do tricoma. Fonte Chandra et al. (2016)

Conforme mencionado por Chandra et al (2016), a cannabis é uma espécie de planta que contém dois tipos principais de compostos: cannabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC). Esses compostos são conhecidos como canabinóides. O cânhamo é um tipo de cannabis que é cultivado especificamente para sua fibra e sementes e geralmente contém níveis baixos de THC (menos de 0,3% peso por peso [p/p]).

Plantas de cannabis que são cultivadas para uso recreativo geralmente são criadas para ter níveis mais altos de THC e níveis mais baixos de CBD. A concentração de CBD no tecido floral dessas plantas é geralmente menor que 2% [p/p]. A diferença no perfil de canabinóides entre o cânhamo e o cannabis recreativo é o resultado de criação seletiva para características específicas. Na Europa, o cânhamo tem sido tradicionalmente cultivado para sua fibra e a demanda por CBD tem sido baixa. No entanto, nos últimos anos, tem havido um interesse crescente nos efeitos terapêuticos potenciais do CBD, e programas de criação foram desenvolvidos para produzir variedades de cannabis com alto teor de CBD. Essas variedades são geralmente criadas a partir de variedades atípicas de resinosas de cannabis que naturalmente contêm níveis mais altos de CBD.

Na pesquisa realizada por Chandra et al (2016), foi realizada uma análise na GW Pharmaceuticals que é uma empresa que produz medicamentos a partir da cannabis. Eles desenvolveram métodos para cultivar plantas de cannabis em um ambiente controlado, com foco na produção de um produto uniforme. A partir da análise realizada nessa empresa produtora de medicamentos, é possível aprender e aplicar grande parte do conhecimento para o cultivo doméstico em menor escala. Isso inclui controlar cuidadosamente fatores como temperatura, iluminação e densidade da planta, bem como documentar todos os aspectos do processo de cultivo.

Para um paciente ou demandante clínico, essa complexidade bioquímica pode ser mais palatável sob o prisma da necessidade de consumo dos derivados da cannabis do que a compreensão dos seus aspectos moleculares, pois o foco principal pode ser o alívio dos sintomas ou condições que o paciente ou demandante clínico está enfrentando, em vez de se aprofundar nas intricacies da química da cannabis. No entanto, a compreensão dos aspectos moleculares da cannabis também pode ser útil para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes e seguros com base na cannabis.

3.5.2 Temperatura e Umidade

A temperatura e a umidade são fatores importantes no cultivo da cannabis, pois podem afetar o crescimento e o desenvolvimento da planta, bem como a qualidade e o rendimento do produto final. O déficit de pressão de vapor (VPD) é outro fator importante a ser considerado ao cultivar cannabis. VPD é a diferença entre a quantidade de vapor de água no ar e a quantidade de vapor de água que o ar pode conter a uma temperatura específica. O VPD é relacionado com a temperatura e umidade, quando o VPD está muito alto, a planta pode sofrer estresse hídrico, pois não consegue absorver umidade suficiente do ar. Por outro lado, se o VPD for muito baixo, a planta pode correr o risco de desenvolver mofo ou outras doenças (CHANDRA et al ,2016)

Figura 12 – VPD do ambiente, recomendações de déficit de pressão de vapor para diferentes
fases da vida cannabis. Fonte: FLUENCE. Photobiology Guide

Durante o estágio vegetativo da cannabis, que normalmente ocorre nos primeiros meses de crescimento, a planta se concentra na construção de sua estrutura e folhagem. Os níveis ideais de temperatura e umidade para este estágio estão entre 21-29 °C e 50-70% de umidade relativa (UR). (LÓPEZ et al., 2014).

À medida que a planta entra na fase de floração, o foco muda para a produção de flores e resina. Durante esta fase, é importante manter os níveis de temperatura e umidade ligeiramente mais baixos, pois altos níveis podem levar a problemas como podridão de flores ou mofo. Os níveis ideais de temperatura e umidade para o estágio de floração estão entre 20-25 °C e 40-50% UR (LÓPEZ et al., 2014).

Os níveis ideais de VPD para cannabis dependem do estágio de crescimento e da cepa específica que está sendo cultivada. Em geral, um VPD de 0,7-1,2 kPa é recomendado durante
o estágio vegetativo e um VPD de 0,6-1,0 kPa é recomendado durante o estágio de floração. É importante monitorar o VPD e fazer os ajustes necessários para manter as condições ideais para as plantas. É importante observar que as plantas de cannabis são sensíveis a flutuações de temperatura e umidade, e é essencial manter um ambiente consistente para evitar o estresse das plantas. Na figura 14 é possível observar como a temperatura e umidade relativa influenciam o VPD e quais são as taxas recomendadas (LÓPEZ et al., 2014).

A partir da Figura 14, é também possível notar que não somente a temperatura ou a umidade relativa importam individualmente, mas que o equilíbrio de ambas, formam a métrica conhecida como VPD e o correto ajustamento dessa métrica é capaz de influenciar as plantas de diversas formas, seja com um crescimento mais acelerado e também com mais resistência à pragas.

Relevante considerar que para a autoprodução doméstica, o controle da temperatura e da umidade é um desafio complicado a ser enfrentado, pois esses fatores podem afetar significativamente o crescimento e o desenvolvimento da planta, assim como a qualidade e o rendimento do produto final. Além disso, a falta de controle adequado sobre a temperatura e umidade pode levar a problemas como mofo ou estresse hídrico nas plantas, o que pode prejudicar o sucesso e a velocidade de crescimento do cultivo.

Os fungos prosperam em ambientes quentes e úmidos, e uma estufa mal ventilada ou excessivamente úmida pode criar o ambiente perfeito para o crescimento de fungos. Além disso, se a temperatura for muito alta, as plantas podem ficar estressadas, o que as torna mais suscetíveis a doenças e infecções fúngicas. Se um fungo se estabelecer, ele pode se espalhar rapidamente e infectar todas as plantas na estufa. Isso não só pode resultar na perda da colheita, mas também pode contaminar as flores, tornando-as inseguras para consumo. Portanto, é crucial monitorar e controlar regularmente a temperatura e a umidade dentro da estufa para prevenir o crescimento de fungos

Vale lembrar também que é possível chegar na colheita sem as condições climáticas ideais, porém o rendimento e a qualidade serão atingidos negativamente. Portanto, é importante ter um bom sistema de controle de temperatura e umidade para garantir condições ideais para o cultivo de cannabis em ambientes domésticos.

3.5.3 Espectro e Intensidade de Luz

De acordo com o guia de fotobiologia feito pela Fluence (2019), empresa da OSRAM, líder em tecnologias de iluminação e sensores, a luz é um tipo de radiação eletromagnética que exibe propriedades semelhantes a ondas e partículas. Pode ser caracterizada por seu comprimento de onda (medido em nanômetros) e intensidade (medida em micromoles por metro quadrado por segundo). A fotobiologia é o estudo de como a luz interage com os organismos vivos, com foco nas plantas neste contexto. As plantas usam a energia da luz do sol para produzir alimentos por meio da fotossíntese e requerem certos comprimentos de onda de luz, conhecidos como radiação fotossinteticamente ativa (PAR)(Imagem 13), para fazê-lo. Dentro de uma folha de planta, pigmentos e fotorreceptores absorvem fótons de PAR em diferentes comprimentos de onda e respondem à intensidade da luz, o que afeta a taxa de fotossíntese e o crescimento geral da planta.

A quantidade de PAR que atinge uma área específica da copa de uma planta é conhecida como densidade de fluxo de fótons fotossintéticos (PPFD), que pode ser medida usando um sensor quântico e é expressa em unidades de micromoles por metro quadrado por segundo.

Figura 13 – Gráfico de radiação fotossinteticamente ativa (PAR). Fonte: Photobiology Guide by Fluence (2019).

De acordo com Morrison et al. (2021), ss tecnologias de iluminação mais comuns utilizadas para produção de cannabis indoor são as baseadas em altas descargas de intensidade (por exemplo, sódio de alta pressão ou HPS) e diodos emissores de luz (LED) (MILLS, 2012, 2016). Essas tecnologias possuem ampla variedade de espectro, distribuição, eficiência PAR e custos de capital. No entanto, independentemente da tecnologia de iluminação utilizada, o fator dominante que regula o custo de iluminação da colheita é a intensidade de luz na copa das plantas e o custo dessa eletricidade.

Conforme observado no estudo de Bruce Bugbee et al (2021), a cannabis é uma cultura de alto valor que pode ser cultivada de maneira rentável em ambientes controlados com luz elétrica, mas o custo da eletricidade é uma alta fração dos custos totais de produção. As luzes de sódio de alta pressão (HPS) são comuns no cultivo de cannabis porque possuem baixo custo inicial e alto fluxo de fótons. No entanto, os avanços na tecnologia de diodos emissores de luz (LED) levaram a uma maior eficiência das luminárias (watts de saída por watt de entrada), mas essas luminárias variam em sua eficiência (micromoles de fótons por Joule de energia de entrada; μmol J-1), dependendo da escolha do LED e da corrente de alimentação. Essas diferenças em eficiência têm um impacto significativo no consumo de energia na produção de plantas em ambientes controlados. As luminárias LED podem ser fabricadas com espectros únicos que têm o potencial de aumentar a produção de flores e a qualidade (perfil de canabinóides)

A respeito do melhor espectro para o cultivo de cannabis em específico, foi descoberto na pesquisa realizada por Bruce Bugbee et al (2021) que, os LED facilitaram o rápido progresso no entendimento dos efeitos espectrais no crescimento de plantas e metabolismo secundário, mas esses dados indicam que a eficiência tem um maior efeito do que o espectro na economia do cultivo de cannabis indoor. Ao reduzir a fração azul de 20% para 4%, houve um aumento de 12,3% no rendimento em massa seca, enquanto ao aumentar a eficiência de 1,72 para 2,51 μmol J-1, houve um aumento de 27% no rendimento por dólar de eletricidade.

De acordo com Bruce Bugbee et al. (2021), os LEDs vermelhos têm uma eficácia maior do que os LEDs azuis e brancos porque os fótons vermelhos têm menos energia do que os verdes e azuis. Isso indica que os fabricantes de luminárias LED e os cultivadores devem considerar luminárias com chips brancos+vermelhos que tenham uma grande parte de vermelho. O tratamento branco+vermelho (10% de azul) teve o maior rendimento por dólar de eletricidade. A iluminação otimizada é fundamental para a economia da cultivação indoor de Cannabis. Esses dados indicam que a eficácia é mais importante do que o espectro e que os fabricantes de luminárias devem considerar a redução da fração azul para melhorar o rendimento econômico da Cannabis.

As taxas fotossintéticas aumentam com o aumento da intensidade da luz até que um ponto de saturação seja atingido, ponto em que aumentos adicionais na intensidade não levam a aumentos adicionais na fotossíntese. Os resultados do estudo de Chandra (2018) sobre o crescimento e desempenho da Cannabis sativa sob diferentes níveis de densidade de fluxo de fótons fotossintéticos (PPFD) e temperatura, concluíram que a C. sativa é capaz de utilizar um alto nível de PPFD e temperatura para seus processos de troca gasosa e absorção de água, e pode ter um desempenho melhor quando cultivado em um PPFD de cerca de 1500 μmol m-2 s1 e uma temperatura de 25-30°C.Sendo assim, esse nível de PPFD considerado o ponto de saturação. É importante observar que as condições ideais para o crescimento e desempenho de C. sativa podem variar dependendo de vários fatores, como a variedade da planta e o ambiente de cultivo.

Figura 14 – Gráfico que relaciona os efeitos da variação de PPFD, temperatura e nos níveis líquidos de fotossíntese. Fonte: Photosynthetic response of Cannabis sativa L. to variations in photosynthetic photon flux densities,
temperature and CO2 conditions Chandra (2008)

Durante a fase de crescimento do estabelecimento, é importante manter a intensidade da luz relativamente baixa, pois a planta está desenvolvendo raízes, folhas e caules. À medida que a planta passa para as fases de crescimento vegetativo e reprodutivo, o aumento da intensidade da luz pode aumentar a taxa de fotossíntese e promover o desenvolvimento de flores e frutos. No entanto, é importante permitir que a planta se aclimate a intensidades de luz mais altas, pois expor a planta à luz alta muito cedo pode danificar os pigmentos de clorofila e causar fotobranqueamento. Geralmente é recomendado aumentar gradualmente a intensidade da luz, em 50 micromoles por metro quadrado por segundo ou menos por dia, e observar a planta com frequência. A Tabela 2 fornece faixas de intensidade de luz recomendadas para estabelecimento, crescimento vegetativo e reprodutivo de cannabis. (PHOTOBIOLOGY GUIDE BY FLUENCE, 2019)

Tabela 4 – Níveis recomendados de PPFD para os diversos estágios da cannabis. Fonte: Adaptado e traduzido de: (PHOTOBIOLOGY GUIDE BY FLUENCE, 2019).

A partir da Tabela 4, é possível notar um detalhe no estágio de floração, que pode variar entre 600~~1500 μmol m-2 s-1, porém é importante citar que uma planta cultivada em maiores intensidades luminosas terá um resultado final diferente de uma planta cultivada em uma intensidade luminosa reduzida. Note-se que a “regra de 1%”, que afirma que um aumento de 1% na radiação fotossinteticamente ativa (PAR) leva a um aumento de 1% no rendimento, é limitada a intensidades de luz mais baixas e pode não ser válida para intensidades mais altas (MARCELIS et al., 2006).

No entanto, a folhagem da cannabis parece tolerar altas intensidades luminosas, mesmo quando exposta a níveis muito altos de densidade de fluxo de fótons fotossintéticos (PPFD). Isso é importante porque todos os estudos evidenciam a capacidade excepcionalmente alta que a cannabis tem de converter PAR em biomassa (Morrison et al., 2021). Na Imagem 15, é possível observar os efeitos da variação do PPFD com o peso seco das inflorescências em gramas por metro quadrado e também a relação quase linear entre eles.

Figura 15 – Gráfico que relaciona os efeitos da variação de PPFD e rendimento de flores em
gramas por metro quadrado. Fonte: Cannabis Yield, Potency, and Leaf Photosynthesis Respond Differently to Increasing Light Levels in an Indoor Environment (VICTORIA RODRIGUEZ-MORRISON, DAVID LLEWELLYN, e YOUBIN ZHENG, 2021)

Conforme observado por Morrison et al. (2021), o rendimento da cannabis aumentou linearmente de 116 para 519 g·m−2 (ou seja, 4,5 vezes mais) à medida que o APPFD (PPFD
médio) aumentou de 120 para 1.800 μmol·m−2·s−1 (Imagem 15). Mesmo sob CO2 ambiente, os aumentos lineares no rendimento indicaram que a disponibilidade de fótons PAR ainda estava limitando a fotossíntese de todo a copa das plantas em níveis de APPFD tão altos quanto ≈1.800 μmol·m−2·s−1 (ou seja, DLI ≈78 mol·m −2·d−1). Os resultados de rendimento deste teste demonstraram a imensa plasticidade da cannabis para explorar o ambiente de iluminação incidente, aumentando eficientemente a biomassa comercializável até intensidades luminosas extremamente altas – para produção interna e doméstica – (Imagem 15).

Para um paciente ou demandante clínico que precisa cultivar cannabis em casa para ter o próprio medicamento, a iluminação é um fator crucial a ser considerado. A escolha da
tecnologia de iluminação mais adequada pode afetar a produção de flores e a qualidade da cannabis, bem como o custo total de produção. As luminárias de altas descargas de intensidade, como sódio de alta pressão ou HPS, são uma opção comum devido ao seu baixo custo inicial e alto fluxo de fótons, mas as luminárias LED têm o potencial de aumentar a produção de flores e a qualidade da cannabis com espectros únicos. No entanto, a iluminação LED é geralmente mais eficiente em termos de consumo de energia, mas o custo inicial é geralmente mais alto. É importante avaliar cuidadosamente os prós e contras de cada opção e levar em consideração o orçamento disponível, bem como as necessidades de produção e qual medicamento.

Além disso, é importante levar em consideração outros fatores importantes no cultivo da cannabis, como a temperatura e a umidade, que podem afetar o crescimento e o desenvolvimento da planta e a qualidade do produto final. O déficit de pressão de vapor (VPD) também é um fator a ser considerado, pois pode afetar a umidade da planta e o seu risco de desenvolver doenças. Ao controlar cuidadosamente esses fatores, os pacientes ou demandantes clínicos podem cultivar cannabis com sucesso em casa e ter um medicamento de qualidade e seguro.

3.5.4 Processo e Método de Cultivo

De acordo com Chandra et al (2016), as plantas usadas em seus produtos são clonadas de plantas femininas de cannabis, e um número limitado de genótipos é usado, derivado de um único fornecedor. Inicialmente, o processo também pode começar via germinação de novas sementes, ao invés de clones de plantas-mães conhecidas. Para iniciar o processo de crescimento, as plantas-mãe são cultivadas e depois cortadas em seções para produzir mudas. Essas estacas são tratadas com hormônio de enraizamento e colocadas em um ambiente úmido e de alta umidade até que desenvolvam um sistema radicular. Depois disso, elas são colocadas em um meio de crescimento e podem continuar crescendo até que estejam prontas para a colheita.

Nesta estufa estão sendo cultivadas em um ambiente controlado com condições específicas de luz, temperatura e umidade. As plantas de cannabis são consideradas de dia curto verdadeiras, plantas de dia curto são aquelas que precisam de um período de luz mais curto para entrar na fase de floração. As plantas de dia curto são sensíveis à quantidade de luz que recebem e podem ser divididas em duas categorias: plantas de dia curto verdadeiras e plantas de dia curto falsas. As plantas de dia curto verdadeiras precisam de um período de luz diária menor que um determinado limiar para entrar na fase de floração. O que significa que as plantas-mãe e as plantas recém-envasadas são mantidas em luz contínua durante as primeiras três semanas de crescimento para manter seu estado vegetativo. Alguns produtores de cannabis preferem cultivar suas plantas em um dia artificial de 18 horas em vez de 24 horas, pois isso pode reduzir o consumo de eletricidade. No entanto, esta prática também tem o efeito de retardar o crescimento das plantas proporcionalmente. As plantas são mantidas em luz contínua durante as primeiras semanas de crescimento para mantê-las em estado vegetativo. (CHANDRA et al ,2016)

Depois, elas são então induzidas a florescer ao serem expostas a um regime alternado de 12 horas de luz e 12 horas de escuridão. Esse processo faz com que as plantas desenvolvam rapidamente flores e tecidos resinosos, que são colhidos e secos. O material do caule é descartado. A estufa usa iluminação suplementar para garantir que as plantas recebam um nível mínimo de irradiância e as temperaturas médias diárias sejam mantidas em torno de 25 graus Celsius. Altas temperaturas podem ser desfavoráveis para o bem-estar dos funcionários e podem estimular o crescimento de insetos-praga. (CHANDRA et al ,2016) (MCPARTLAND, CLARKE, WATSON, 2000). Importante citar que, no estudo realizado por Oliveira (2021), 61% dos participantes indicaram sentir dificuldades no cultivo, sendo uma das maiores dificuldades o controle de pragas.

Conforme observado por Chandra et al (2016), durante o processo de cultivo da cannabis nessa estufa, as plantas são regadas com água potável e cultivadas em um meio que foi certificado como tendo estrutura, pH e teor de nutrientes corretos, além de ser livre de resíduos de pesticidas ou metais pesados. Para prevenir a ocorrência de doenças, evitam-se condições que possam favorecer o seu desenvolvimento e controlam-se as pragas de insetos através da utilização de insetos benéficos que as atacam. Para regular a troca de gases e vapor de água entre as folhas e o ambiente circundante, é importante que haja fluxo de ar ao redor da superfície da folha. Esse movimento do ar ajuda a regular a condutância térmica, o balanço de energia e a fisiologia geral e o crescimento da planta. Isso é obtido com a instalação de ventiladores no ambiente de cultivo. Uma boa circulação de ar também ajuda a prevenir o desenvolvimento de doenças nas plantas.

De acordo com Chandra et al. (2016), depois que as plantas terminam de crescer, elas são cortadas na base e penduradas em um local quente, cerca de 25 graus Celsius e seco (45~~55% umidade) para secar. A Figura 16 ilustra um grupo de plantas de quimiotipo CBD sendo examinadas antes de serem colhidas. Essa bancada específica, com área de 10 metros quadrados, é capaz de produzir matéria-prima suficiente para um a dois anos de tratamento com Epidiolex para um paciente pediátrico.

Figura 16 – Bancada de plantas maduras de CBD prontas para colheita. Fonte Chandra et al. (2016)

Na produção de flores de cannabis comercial, as perdas podem ocorrer em várias etapas do processo. Alguns exemplos incluem:

  1. . Perdas durante o cultivo: As plantas podem ser atacadas por pragas ou doenças, ou podem ser danificadas por condições climáticas adversas, o que pode levar a perdas significativas.
  2. Perdas durante a colheita: As flores podem ser danificadas durante a colheita, especialmente se forem colhidas de forma incorreta ou se forem expostas a condições de armazenamento inadequadas antes do processamento.
  3. Perdas durante o processamento: As flores podem perder qualidade durante o processo de secagem e/ou trituração se não forem manipuladas corretamente.

As inspeções podem ser realizadas em várias etapas do processo de produção de flores de cannabis comercial, incluindo a seleção das sementes, o preparo do solo, a cultivação e o processamento das flores. As inspeções visam garantir que a qualidade do produto final atenda aos padrões estabelecidos e que a produção esteja em conformidade com as leis e regulamentos aplicáveis.

Um fluxograma descrevendo todo o processo de crescimento pode ser encontrado na Figura 17:

Figura 17 – Fluxograma processo de seleção, propagação e cultivo de cannabis de alta
qualidade. Fonte: Traduzido e Adaptado de Chandra et al (2016)

Em geral, o ciclo de crescimento da Cannabis pode levar cerca de 4 meses para ser completado. No entanto, como mencionado anteriormente, isso pode variar dependendo da espécie da planta e da forma como é cultivada, por exemplo, ao ser possível ter diversas áreas de cultivo é possível realizar o que comumente é conhecido como cultivo perpétuo.

No cultivo perpétuo, inicialmente, mudas são introduzidas no espaço vegetativo e são cultivadas por aproximadamente 2 meses. Durante este período, o cultivador deve realizar tarefas de manutenção, tais como podas e amarrações, de acordo com as necessidades do espaço. Após este período, as plantas são transferidas para o espaço de floração. Antes desta transferência, o cultivador deve obter clones das plantas que estão sendo transferidas, a fim de preencher novamente o espaço vegetativo. Enquanto os clones crescem e são trabalhados, as plantas iniciais estão em fase de floração. Após a colheita destas plantas, os clones do espaço vegetativo são transferidos para o espaço de floração e novos clones são obtidos para serem transferidos para o espaço vegetativo, iniciando assim um ciclo contínuo. Assim, em média, a cada 8 semanas ocorre uma mudança de espaço vegetativo para espaço de floração, permitindo uma produção constante e, dependendo do número de plantas, abundante.

Apesar de a cannabis ser uma planta muito versátil e adaptável, o cultivo doméstico pode ser desafiador devido às dificuldades em controlar fatores como luz, temperatura e umidade. É importante que os pacientes ou demandantes clínicos que desejam cultivar a planta em casa estejam cientes dessas complicações e estejam preparados para enfrentá-las, seja através da compra de equipamentos especializados ou da busca por informações e orientações sobre como controlar esses fatores. Além disso, é preciso levar em conta as possíveis dificuldades com o controle de pragas e doenças, que podem afetar o cultivo e a qualidade da planta final. Ademais, é importante considerar que o processo de cultivo pode ser demorado e demandar muita atenção e cuidado. No entanto, com a devida preparação e conhecimento, é possível cultivar cannabis de maneira eficiente e obter um produto de qualidade para uso medicinal.

3.6 Resultados teóricos e cotejamento com os objetivos da pesquisa

Tendo em vista os estudos e pesquisa nacionais e internacionais que subsidiam o presente trabalho, tem-se a possibilidade de realização de cotejamento, ainda que teórico, com alguns dos objetivos propostos, a saber:

3.6.1 Sobre os elos da cadeia de produção

A cadeia de autoprodução de cannabis para o consumo medicinal de pacientes demandantes é composta por diversos elos, cada um deles importante para garantir a qualidade e segurança do medicamento final. Alguns dos elos mais importantes incluem:

  • Acesso à sementes selecionadas: A seleção das sementes é crucial para garantir que as plantas produzam níveis adequados de cannabidiol (CBD) e baixos níveis de tetrahidrocanabinol (THC). É importante que os pacientes tenham acesso a sementes de alta qualidade e sejam capazes de cultivá-las com sucesso. Pacientes medicinais legalizados são permitidos pelo governo para importação de sementes.
  • Preparação do Solo: A qualidade do solo é essencial para o crescimento saudável das plantas. É importante que os pacientes tenham acesso a informações sobre como preparar o solo adequadamente e quais nutrientes são necessários para o crescimento saudável das plantas.
  • Germinação das sementes: A germinação é o processo pelo qual as sementes começam a crescer e produzir novas plantas. É importante que os pacientes saibam como germinar as sementes corretamente e como cuidar das plantas durante esse processo inicial.
  • Seleção das melhores candidatas: Uma vez que as plantas começam a crescer, é importante selecionar as que têm as características desejadas, como alto teor de CBD e baixo teor de THC. Isso garante que os pacientes tenham acesso ao medicamento mais eficaz.
  • Cultivo das plantas madres: As plantas madres são usadas para produzir estacas que serão plantadas e cultivadas. É importante que os pacientes tenham acesso a informações sobre como cultivar plantas madres corretamente e como cuidar delas.
  • Remoção de ramos e estacas produzidas: Durante o crescimento das plantas, é importante remover os ramos e estacas que não estão produzindo flores para garantir que as plantas concentrem sua energia em produzir flores de qualidade e também para enraizar estacas que no futuro se tornarão plantas maiores com o mesmo material genético.
  • Enraizamento das estacas: É um processo crucial para o desenvolvimento das plantas, pois garante que as estacas tenham uma boa base para crescer e se desenvolver. É importante que sejam utilizadas técnicas adequadas para garantir um bom enraizamento, como o uso de substrato adequado, umidade e luz adequadas.
  • Período de crescimento vegetativo: Durante este período, as plantas se desenvolvem e crescem, produzindo folhas e ramos. É importante garantir que as condições de cultivo sejam ideais para garantir um bom crescimento, como temperatura, umidade e iluminação adequadas.
  • Inspeção de pragas e doenças: É importante monitorar as plantas regularmente para detectar e tratar quaisquer problemas de pragas ou doenças o mais cedo possível. Isso garante que as plantas possam continuar a crescer saudavelmente e produzir flores de qualidade.
  • Formação e maturação das flores: Durante este período, as plantas começam a produzir flores, que contêm os compostos medicinais desejados. É importante garantir que as condições de cultivo sejam ideais para garantir que as flores sejam de boa qualidade.
  • Colheita: Uma vez que as flores estão maduras, é hora de colhê-las. É importante fazer isso cuidadosamente para não danificar as flores e garantir que elas sejam colhidas no momento certo.
  • Secagem: É um processo importante para garantir a qualidade final do produto, pois remove a umidade residual das flores colhidas. Se não for realizada de forma adequada, pode resultar em perda de rendimento e de qualidade do óleo extraído. Os pacientes demandantes da medicina podem ser afetados negativamente se o óleo extraído tiver baixa qualidade devido à falta de cuidado na secagem. Uma secagem realizada de maneira incorreta pode diminuir os níveis de canabinóides e terpenos presentes no extrato final.
  • Desfolhação: Consiste na remoção das folhas secas e danificadas das flores colhidas, a fim de aumentar a qualidade do óleo extraído. É importante para os pacientes demandantes da medicina, pois um excesso de folhagem pode afetar negativamente o sabor e resultado final.
  • Processamento das Flores: Consiste na separação das flores secas e desfolhadas em diferentes frações, como flor principal, ramos e folhas. É importante para os pacientes demandantes da medicina, pois permite a extração de óleos com diferentes concentrações de CBD e THC.
  • Extração do óleo: É o processo de obtenção do óleo de cannabis a partir das flores secas e desfolhadas. É importante para os pacientes demandantes da medicina, pois é a forma de obtenção do CBD utilizado no tratamento. A qualidade do óleo extraído está diretamente relacionada à qualidade das flores utilizadas no processo.
3.6.2 Identificar os requisitos legais, técnicos e operacionais requeridos pela cadeia de
suprimentos

Os requisitos legais para o auto cultivo de cannabis medicinal para pacientes incluem a necessidade de uma receita médica emitida por um médico habilitado e registrado no Conselho Regional de Medicina. A prescrição médica deve especificar a quantidade de cannabis a ser cultivada, bem como o período de tempo para o qual o tratamento é necessário. Além disso, o paciente deve assinar um termo de responsabilidade, declarando que assume total responsabilidade pelo cultivo, armazenamento e uso da cannabis medicinal.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) também exige que os pacientes apresentem uma autorização para o cultivo de cannabis medicinal. Para obter essa autorização,
os pacientes devem fornecer comprovação científica de que a cannabis é eficaz no tratamento da sua patologia específica, geralmente através de artigos científicos relevantes. Além disso, é necessário um relato manuscrito detalhando a história médica do paciente e o motivo pelo qual outros tratamentos não foram eficazes.

Por fim, os pacientes também precisam obter um salvo-conduto para importar sementes, cultivar a cannabis em sua residência e também transportar a cannabis cultivada de sua residência para o local de tratamento, garantindo assim a legalidade do transporte da substância. Além disso, é importante mencionar que o paciente ou responsável legal deve seguir rigorosamente as recomendações médicas quanto à dosagem e frequência de uso da cannabis, evitando assim qualquer tipo de risco à saúde.

Os requisitos técnicos e operacionais para o auto cultivo de cannabis medicinal incluem uma série de conhecimentos e habilidades que são essenciais para garantir a qualidade e segurança do medicamento para os pacientes. O conhecimento botânico é fundamental para entender como a planta se desenvolve e como seus componentes ativos se acumulam. Os conhecimentos agronômicos são necessários para garantir que a planta seja cultivada em condições ideais, como a escolha do solo, a adubação, a irrigação e o controle de pragas e doenças. Os conhecimentos farmacológicos são necessários para entender como os componentes ativos da planta afetam o corpo humano, e como esses componentes podem ser utilizados para tratar determinadas condições de saúde.

É importante destacar que o auto cultivo de cannabis medicinal requer um certo nível de conhecimento botânico, agronômico e farmacológico, bem como uma compreensão sólida das regulamentações e leis aplicáveis. A fim de obter esses requisitos, é recomendável que os pacientes busquem informações e treinamentos de fontes confiáveis, como livros especializados, cursos e organizações de pacientes. Além disso, é importante manter-se atualizado com as regulamentações e leis.

A preocupação com a dosagem irregular de produtos à base de cannabis é válida, especialmente quando se trata de uso crônico. No entanto, existem maneiras de mitigar esse problema. Durante o processo de extração do óleo de cannabis, a dosagem pode ser ajustada e controlada. Por exemplo, é possível diluir o óleo para ajustar a dosagem de acordo com as necessidades específicas do usuário.

Quanto à contaminação fúngica, embora seja uma preocupação legítima, não é necessariamente um perigo se o cultivo for bem cuidado e as condições adequadas forem mantidas para evitar o crescimento de fungos. Além disso, o processo de extração do óleo à quente pode ajudar a eliminar a presença de fungos.

Portanto, embora existam desafios associados à produção caseira de produtos à base de cannabis, existem também soluções e precauções que podem ser tomadas para garantir a qualidade e a segurança do produto final.

4. Análise de Viabilidade Financeira e Técnica da Auto Produção de Cannabis para Tratamento Próprio

4.1 Planejamento do cultivo indoor e análise comparativa de custos de todas formas de obtenção da medicação para um paciente portador de TEA

No presente estudo, será realizada uma comparação dos custos de tratamento para sintomas de transtorno do espectro autista (TEA) utilizando canabidiol (CBD) em um paciente fictício. A abordagem adotada incluirá análise dos custos financeiros relacionados à aquisição do CBD através de quatro métodos diferentes: farmácia, importação direta, associações de cultivo e autoprodução. Como o uso do CBD para tratamento de TEA ainda é um campo de pesquisa emergente, este estudo tem como objetivo fornecer uma visão geral dos custos envolvidos na utilização desta terapia e fornecer informações valiosas para pacientes, médicos e familiares que estejam considerando o uso do CBD como opção de tratamento para a TEA. Além disso, o estudo tem como objetivo identificar quais desses métodos de obtenção do CBD proporcionam uma melhor relação custo-benefício para o paciente fictício.

A posologia para o tratamento do TEA ainda é individual, variando de paciente a paciente, os estudos realizados por Barchel e Stolar (2019), sugerem uma dose diária de no máximo 16 mg/kg. Um dos estudos precursores do tema, realizado por Aran e Cassuto (2019), trabalhou com uma dose máxima de 10mg/kg. Sendo assim, a quantidade de gramas de flor por mês para o tratamento de crianças de 12 anos que possuem em média 40kg, variaria de 80 a 128 gramas de flor com 15% CBD por mês para obter a quantidade necessária de medicamento para o seu tratamento. Nessa análise utilizaremos a dosagem máxima de 10mg/kg, sendo assim necessário mensalmente 12.000mg de CBD.

Com base na necessidade de consumo mensal de CBD para o paciente, será possível calcular a necessidade anual de aquisição dos medicamentos, levando em consideração as
concentrações de CBD presentes em diferentes óleos. Essa informação será utilizada para realizar uma análise comparativa dos custos anuais de tratamento utilizando CBD para TEA, visando identificar qual opção de tratamento apresenta a melhor relação custo-benefício. Além disso, fornece dados quantitativos para os custos envolvidos na utilização do CBD como tratamento para o TEA, contribuindo para a literatura científica nesta área emergente de pesquisa.

Neste tópico, serão apresentados exemplos concretos de medicamentos contendo canabidiol (CBD) que serão utilizados para analisar os custos de tratamento para sintomas de transtorno do espectro autista (TEA) em um paciente fictício. Os medicamentos escolhidos incluem:

  1. A solução oral de canabidiol Prati-Donaduzzi com concentração de 200mg/ml adquirida em farmácia;
Figura 18 – Imagem do medicamento de canabidiol vendido nas farmácias brasileiras, retirada do site
da Drogaria São Paulo. Fonte: Drogaria São Paulo

2. O óleo de CBD de espectro amplo da marca USA Hemp com concentração de 6000mg/60ml adquirido por importação direta;

Figura 19 – Imagem do medicamento de canabidiol que pode ser importado retirada do site da USA Hemp Brasil. Fonte: USA Hemp Brasil

3. O óleo de associação Doctor Rico em CBD da APEPI com concentração de 1000mg/30ml.

Figura 20 – Imagem do medicamento de canabidiol distribuído pela associação APEPI. Fonte: APEPI

Esses medicamentos serão utilizados como exemplos para ilustrar as diferenças entre os custos de tratamento utilizando diferentes formas de obtenção de CBD, permitindo uma comparação entre os medicamentos e facilitando a análise dos custos anuais para o paciente fictício. A tabela a seguir ilustra a necessidade de aquisição anual dessas diversas alternativas:

Tabela 5 – Necessidade de Aquisição de medicamentos de acordo com o consumo mensal de um paciente. Fonte: Elaborado pelo autor, Fonte consultada Chandra (2016)

Para ser realizada a comparação dos custos de tratamento entre as formas mais comuns de aquisição do canabidiol e a auto produção, é necessário discutir todos os custos necessários para a aquisição de equipamentos para a auto-produção de cannabis sativa para o paciente fictício. É importante levar em consideração todos os custos envolvidos na auto-produção, incluindo a aquisição de equipamentos e suprimentos. Além disso, serão explicitados os custos mensais, como a conta de luz, que são necessários para manter as plantas de cannabis sativa. A conta de luz é um fator importante a ser considerado, pois as lâmpadas de cultivo são requeridas para a produção de cannabis sativa, e essas lâmpadas consomem uma grande quantidade de energia, também deve se somar os gastos energéticos de toda outra gama de equipamentos como ventiladores e exaustores.

Como discutido anteriormente, a autoprodução de canabidiol (CBD) é uma opção de tratamento que pode ser considerada para reduzir os custos do tratamento. Com base na iluminação escolhida, é possível fazer previsões da colheita e, sabendo o consumo mensal de CBD do paciente, é possível planejar a produção para suprir essa necessidade. Utilizando duas áreas de cultivo, é possível ter colheitas a cada 2 meses e meio, reabastecendo mais rapidamente os estoques do paciente e também alcançando um rendimento apropriado com um cultivo mais eficiente. As informações sobre esses cálculos serão apresentadas na Tabela 11.

Tabela 6 – Informações Adicionais sobre Cultivo Próprio. Fonte: Elaborado pelo autor, Fonte consultada Chandra (2016)

Dessa forma, é possível planejar a produção para suprir a necessidade do paciente e minimizar os custos envolvidos. Além disso, é importante lembrar que é necessário possuir os equipamentos e suprimentos adequados para garantir uma produção de alta qualidade. Para a realização do cultivo indoor de canabidiol (CBD) para o paciente fictício, são necessários certos equipamentos e suprimentos. A lista inclui:

1. 1 estufa de cultivo PROBOX Basic de 60x60x160cm para o estágio vegetativo e mudas; (opção semelhante disponível aqui)

2. 1 estufa de cultivo PROBOX Basic de 100x100x200cm para floração;

As estufas de cultivo são estruturas fechadas que permitem controlar e manter as condições climáticas ideais para o crescimento e desenvolvimento das plantas de cannabis. Elas são importantes por vários motivos:

  • Controle climático: As estufas permitem controlar a temperatura, umidade e luz, o que é essencial para o crescimento saudável das plantas. Isso é especialmente importante em regiões com climas adversos, onde as condições naturais podem ser desfavoráveis para o cultivo.
  • Ciclo de sono: As estufas permitem controlar o ciclo de luz e escuro das plantas, garantindo que elas recebam o período de escuro adequado para descansar e se recuperar. Isso é importante para garantir que as plantas tenham um crescimento saudável e produzam colheitas de qualidade.
  • Proteção contra pragas e doenças: As estufas oferecem uma barreira física contra pragas e doenças, o que é essencial para garantir que as plantas de cannabis cresçam sem interrupções. Além disso, as estufas também podem ser equipadas com sistemas de controle biológico, como inseticidas naturais e fungicidas, que ajudam a manter as plantas saudáveis.
  • Produtividade: As estufas permitem aumentar a produtividade, pois as plantas podem ser cultivadas durante todo o ano, independentemente das condições climáticas externas.

As estufas de cultivo são uma ferramenta essencial para garantir que as plantas de cannabis cresçam saudáveis e produzam colheitas de qualidade, além de proporcionar benefícios econômicos e ambientais.

Visão da Quantum Board Cultlight 320 watts montada dentro de uma estufa de cultivo e iluminando uma planta de folhas verdes e flores vermelhas.
Figura 21 – Imagem do painel LED Cultlight de 320W em uma estufa PROBOX de
100x100x200 cm. Fonte: Cultlight

3. 1 painel LED Bar Cultlight de 320W 3500K+660nm para floração;

4. 1 painel LED Quantum Cultlight de 120W 3500K+660nm para estágio vegetativo e mudas;

A iluminação é uma parte crucial no cultivo de cannabis, pois é responsável pela produção de clorofila e pela fotossíntese, processos fundamentais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. O tipo, a intensidade e a duração da iluminação afetam diretamente o rendimento e a qualidade do produto final.

Para obter resultados desejáveis no cultivo de cannabis, é importante fornecer uma quantidade adequada de luz, especialmente durante a fase de floração. A iluminação ideal é geralmente fornecida por lâmpadas LED específicas para horticultura, que fornecem uma ampla gama de comprimentos de onda e intensidade de luz. A duração da iluminação também é importante, pois a planta precisa de um período de escuridão para descansar e se recuperar.

Para manter o estágio vegetativo em uma estufa de 60x60x160cm com a intensidade luminosa necessária é recomendado a utilização de um painel LED Quantum Board Cultlight de 120W:

Figura 22 – Imagem do painel LED Cultlight de 120W 3500K+660nm. Fonte: Cultlight

Para manter a estufa de 100x100x200cm no estágio de floração é necessário um painel de maior potência que entregue uma intensidade luminosa superior para alcançar os rendimentos desejados e aproveitar o máximo de espaço possível dentro da estufa, sendo assim recomendado a utilização de um painel LED Bar Cultlight de 320W:

Visão de baixo da Quantum Board Cultlight 320 watts. O produto é composto por quatro barras retangulares feitas de alumínio prateado, arrematadas por material preto nas pontas. Existem quatro ganchos para prendê-lo no ambiente de cultivo. Na superfície inferior, existem lâmpadas de LED ligadas.
Figura 23 – Imagem do painel LED Bar Cultlight de 320W 3500K+660nm. Fonte: Cultlight

No tratamento de pacientes portadores de autismo com canabidiol, a iluminação também desempenha um papel importante, pois pode afetar a qualidade dos compostos químicos presentes na planta, incluindo o canabidiol. Portanto, é importante fornecer uma iluminação adequada durante todas as fases do cultivo para garantir que os pacientes recebam um produto de qualidade, com níveis adequados de canabidiol.

5. 1 filtro de carvão;

Os filtros de carvão são dispositivos utilizados para remover os odores e os compostos orgânicos voláteis (VOCs) gerados pelo cultivo de cannabis em ambientes fechados, como estufas ou salas de cultivo indoor. Eles são importantes por vários motivos:

  1. Controle de odores: O cultivo de cannabis pode gerar odores fortes e persistentes, devido à liberação de compostos voláteis, como ácido cinâmico e terpenos. Os filtros de carvão são eficazes na adsorção desses compostos, reduzindo significativamente os odores emitidos pelo cultivo.
  2. Segurança: Os odores fortes podem indicar a presença de cultivo de cannabis e atrair a atenção indesejada de vizinhos ou autoridades. Os filtros de carvão ajudam a manter o cultivo discreto, reduzindo o risco de descoberta, mesmo que legalizado e autorizado pela Justiça, os cultivos precisam ser discretos para evitar problemas.
  3. Eficiência no uso de equipamentos: Os filtros de carvão ajudam a prolongar a vida útil dos equipamentos de ventilação e exaustão, pois eles removem partículas de sujeira e poeira que podem se acumular nesses equipamentos.

Em resumo, os filtros de carvão são uma parte importante do cultivo indoor de cannabis, pois ajudam a controlar os odores, aumentar a segurança, melhorar a qualidade do ar interno e prolongar a vida útil dos equipamentos.

Visão diagonal do filtro de carvão Garden HighPro. O produto é cilíndrico, branco no meio e preto nas pontas, possuindo um buraco no meio para encaixar os dutos de ar.
Figura 24 – Imagem do filtro de carvão 125mm ProcAtive da GardenHighPro. Fonte: Cultlight

6. 2 exaustores de entrada;

7. 2 exaustores de saída;

8. 1 ventilador oscilante;

Os exaustores de entrada de ar, saída de ar e ventilação são dispositivos importantes para o cultivo indoor de cannabis, pois eles ajudam a controlar e manter as condições ideais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Eles são importantes por vários motivos:

  • Controle climático e eficiência de crescimento vegetal: Os exaustores de entrada e saída de ar ajudam a controlar a temperatura e a umidade do ambiente de cultivo, garantindo que as plantas recebam as condições ideais para crescer. Eles também ajudam a manter a ventilação adequada, evitando que o ar fique estagnado.
  • Calor gerado pelos painéis: Os exaustores de saída de ar ajudam a remover o ar quente e úmido gerado pelas lâmpadas de cultivo, garantindo que as plantas recebam a quantidade adequada de luz e calor para crescer.
  • Proteção contra pragas e doenças: Os exaustores de entrada e saída de ar ajudam a manter o ambiente de cultivo limpo e seco, o que é essencial para prevenir o crescimento de fungos e bactérias prejudiciais.
  • Segurança: Os exaustores de saída de ar ajudam a remover os odores e os compostos voláteis gerados pelo cultivo, garantindo a discrição e diminuindo o risco de descoberta.
Visão diagonal do exaustor de ar Garden HighPro. O produto é cilíndrico e feito de material preto por fora. Dentro dele, existem hélices triangulares e amarelas.
Figura 25 – Imagem do exaustor de entrada de ar 125mm ProFan Axial Inline Fan da
GardenHighPro. Fonte: Cultlight
Visão diagonal do exaustor de ar Garden HighPro. O produto é cilíndrico e feito de material preto por fora. Dentro dele, existem hélices triangulares e amarelas.
Figura 26 – Imagem do exaustor de saída Pro TT Extractor Fan da GardenHighPro. Fonte: Cultlight

Em resumo, os exaustores de entrada de ar, saída de ar e ventilação são dispositivos fundamentais para o cultivo indoor de cannabis, pois ajudam a controlar e manter as condições ideais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. Eles são cruciais para garantir que as plantas recebam a quantidade adequada de luz, calor, umidade e ventilação, além de proteger contra pragas e doenças. Também contribuem para a segurança e eficiência energética do cultivo. Um sistema de exaustores bem projetado e mantido é essencial para garantir a qualidade e rendimento do cultivo indoor de cannabis.

9. Vasos de plástico ou feltro;

Os vasos de cultivo são uma parte importante do processo de cultivo de cannabis, pois eles oferecem suporte e sustentação para as plantas e também afetam a qualidade e rendimento do cultivo. Eles são importantes por vários motivos:

  1. Drenagem: Os vasos de cultivo devem ter boa drenagem para garantir que as raízes das plantas não fiquem submersas em água, o que pode causar apodrecimento e problemas de saúde das plantas.
  2. Aeração do solo: Os vasos de cultivo devem permitir uma boa aeração das raízes, o que é essencial para o crescimento saudável das plantas.
  3. Tamanho: O tamanho do vaso deve ser adequado para o tamanho da planta. Plantas pequenas devem ser cultivadas em vasos menores, enquanto plantas maiores precisam de vasos maiores para suportar seu crescimento.
  4. Material: Os vasos de cultivo podem ser feitos de diferentes materiais, como plástico, cerâmica, madeira ou metal. Cada material tem suas próprias vantagens e desvantagens, como durabilidade, peso e capacidade de conduzir calor.
Figura 27 – Imagem de vasos ‘’anti-stress’’ de plástico. Fonte: Shopee

10. Substrato orgânico completo;

O substrato orgânico completo é essencial para o cultivo de cannabis, pois ele fornece as plantas com todos os micronutrientes e macronutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento saudáveis. Ele é importante por várias razões:

  1. Nutrição: Um substrato orgânico completo fornece todos os nutrientes essenciais para o crescimento e desenvolvimento das plantas, incluindo nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio, magnésio e outros micronutrientes. Ele também pode incluir aditivos orgânicos como composto, esterco e lodo de minhoca para aumentar a qualidade do substrato.
  2. Retenção de umidade: Um substrato orgânico completo também tem a capacidade de reter umidade, o que é essencial para garantir que as raízes das plantas tenham água suficiente para crescer.
  3. Drenagem: Um substrato orgânico completo também deve ter boa drenagem para garantir que as raízes não fiquem submersas em água, o que pode causar apodrecimento e problemas de saúde das plantas.
  4. Sustentabilidade: Utilizando substrato orgânico completo, você está contribuindo para o meio ambiente, pois é uma forma de reciclar materiais orgânicos e evitar o uso de substratos químicos ou sintéticos, que podem ser prejudiciais para o meio ambiente e para as plantas. Além disso, o uso de substrato orgânico completo contribui para o desenvolvimento de solo saudável e fértil, o que é benéfico para futuros cultivos.

É importante lembrar que a escolha do substrato orgânico deve ser feita de acordo com as necessidades específicas do cultivo de cannabis, já que cada variedade tem suas próprias necessidades de nutrientes e condições climáticas ideais, existem diversos disponíveis no mercado. É recomendável fazer testes com diferentes tipos de substrato e ajustar a adubação de acordo com as necessidades específicas da planta e do cultivo.

Figura 28 – Exemplos de um substrato orgânico completo. Fonte: Loja Terrô

11. Sementes de cannabis sativa de uma cepa com alto nível de CBD e baixa concentração de THC;

A escolha da cepa correta de cannabis é fundamental para o cultivo de plantas para utilização de medicamentos com base de canabidiol, pois cada cepa possui diferentes níveis de canabidiol (CBD) e tetrahidrocanabinol (THC), que são os principais compostos psicoativos da cannabis.

Figura 29 – Sementes de Cannabis. Fonte: Atlas Seed

O CBD é considerado um composto terapêutico, pois possui propriedades antiinflamatórias, analgésicas e ansiolíticas, e é utilizado no tratamento de várias condições médicas, incluindo autismo, ansiedade, dor crônica e epilepsia. Por outro lado, o THC é o principal composto psicoativo da cannabis, e é o responsável pelos efeitos psicoativos da planta, como a sensação de euforia e alucinações.

Para o cultivo de plantas para utilização de medicamentos com base de CBD, é importante escolher cepas que tenham altos níveis de CBD e baixos níveis de THC. Isso garante
que os pacientes possam obter os benefícios terapêuticos do CBD sem os efeitos psicoativos do THC. Algumas cepas conhecidas por serem ricas em CBD incluem Charlotte’s Web, ACDC, Harlequin e Cannatonic.

É importante notar que o cultivo de cepas ricas em CBD pode ser desafiador, pois essas cepas tendem a ser menos resistentes do que outras cepas comuns e requerem cuidados específicos durante o cultivo. Além disso, essas cepas também podem ser mais sensíveis às condições climáticas e aos nutrientes do substrato, e podem precisar de níveis mais precisos de luz, temperatura e umidade para crescer e desenvolver-se corretamente.

É importante também fazer testes de laboratório para verificar os níveis de CBD e THC de cada planta antes de colhê-las, para garantir que elas atendam aos requisitos para o uso medicinal. E, dependendo da legislação do país, é importante seguir as regras e regulamentações para o cultivo, uso e comercialização de cannabis medicinal.

A cepa ACDC (Figura 30) é uma excelente opção para o cultivo de plantas para utilização de medicamentos à base de canabidiol. Ela é conhecida por sua rápida taxa de crescimento, grande rendimento, robustez e resistência a pragas e doenças. Além disso, a cepa possui uma excelente relação folha-cálice e estrutura de flor espessa e densa, o que facilita o processamento e a manicure.

Figura 30 – Flores de Cannabis da cepa ACDC Hemp Seeds. Fonte: CBD Seed Labs

A cepa ACDC também é conhecida por seu alto teor de CBD em relação ao THC, geralmente com uma relação de 26:1, e pode atingir uma relação de 30:1 ou mais, dependendo das condições de cultivo. Além disso, ela é aprovada pela USDA Farm Bill, uma lei federal dos Estados Unidos que reúne as principais políticas agrícolas e nutricionais do país, ou seja, cumpre com os requisitos de THC < 0.3% quando madura.

Em resumo, a cepa ACDC é uma excelente opção para o cultivo de plantas para utilização de medicamentos com base de canabidiol, devido a sua alta relação de CBD para THC, resistência e facilidade de cultivo

12. Dois termohigrômetros;

Os termohigrômetros são dispositivos importantes para o cultivo indoor de cannabis, pois medem a temperatura e a umidade do ar no ambiente de cultivo. A cannabis requer níveis específicos de temperatura e umidade para crescer e desenvolver-se corretamente, e os termohigrômetros permitem que os cultivadores ajustem esses níveis conforme necessário. É recomendado que tenha um termohigrômetro em cada estufa, pois são ambientes diferentes.

Visão frontal do Termo-higrômetro ProHygro, confeccionado em material preto, com a logo da Garden HighPro amarela na parte de baixo. O produto possui três botões e uma tela contendo as informações relativas à temperatura e à umidade do ar.
Figura 30 – Termohigrômetro digital. Fonte: Cultlight

13. Dois timers analógicos

Os timers analógicos são dispositivos que permitem aos cultivadores programar o horário de funcionamento dos equipamentos de iluminação, ventilação e exaustão, garantindo
que as plantas recebam a quantidade certa de luz e ar fresco. Eles permitem também programar a duração do ciclo de luz, seguindo o ciclo natural de luz do sol, ajudando assim a garantir o melhor desenvolvimento e colheita das plantas.

Timer analógico para cultivo feito de material branco. Na parte superior frontal, existe um interruptor circular com as marcações relativas às 24 horas do dia. Na parte inferior frontal, existe uma tomada de três pinos fêmea, enquanto na parte inferior traseira existe uma tomada de três pinos macho para conectar o produto da energia.
Figura 32 – Timer Temporizador Analógico. Fonte: Cultlight

Esses itens são essenciais para garantir um ambiente adequado para o cultivo e para assegurar que as plantas tenham as condições ideais para o crescimento saudável. Além disso, os custos desses itens serão apresentados na tabela a seguir, permitindo uma comparação e facilitando a tomada de decisão informada sobre a aquisição desses equipamentos e suprimentos.

Tabela 7 – Apresentação dos custos de aquisição de equipamentos para a auto produção de
Cannabis para o paciente fictício portador de TEA. Fonte: Elaborado pelo autor, Fonte consultada Chandra (2016)

Ao analisar os custos de tratamento anuais de canabidiol para sintomas de transtorno do espectro autista (TEA) em um paciente fictício, é possível observar que a auto-produção é a
opção mais econômica. Comparando os custos financeiros anuais e também de 5 anos de tratamento obtidos através dos métodos de farmácia, importação direta, associações de cultivo e auto-produção, é possível ver que o custo anual do tratamento é de R$330.033,05 na farmácia, R$178.350,00 na importação direta, R$203.350,00 nas associações de cultivo e R$26.633 na auto-produção. Isso evidencia que a auto-produção é a opção mais econômica, com um custo significativamente menor do que os outros métodos, cerca de 12 vezes mais barata do que a opção mais cara, neste período, conforme consta na Tabela 11.

Tabela 8 – Comparação de Custos entre o cultivo próprio, óleos importados, medicamentos da
farmácia e óleo da associação para o tratamento de sintomas do TEA. Fonte: Elaborado pelo autor, Fonte consultada Chandra (2016).

É importante lembrar que, além da comparação financeira, existem outros fatores importantes a serem considerados ao escolher a opção de tratamento com canabidiol (CBD) para sintomas de transtorno do espectro autista (TEA). A auto-produção, embora seja a opção mais econômica, também requer um investimento de tempo e esforço para garantir a qualidade do CBD produzido. Isso inclui o custo de manejo, tempo de manejo, tempo de estudo, conhecimento necessário, necessidade de espaço e conhecimento sobre a operação. Além disso, há considerações legais e regulatórias que devem ser levadas em conta ao produzir CBD. Isso pode incluir a necessidade de licenças e permissões, bem como a conformidade com as leis e regulamentos locais e nacionais. É importante que os pacientes, médicos e familiares considerem todos esses fatores antes de decidir sobre a opção de tratamento com CBD mais adequada para cada indivíduo.

4.2 Levantamento de custos relacionados ao devido sistema de produção, avaliando o payback time comparando com medicamentos importados e nacionais.

O objetivo de realizar o levantamento de custos relacionados ao sistema de produção de cannabis para o consumo medicinal foi atingido através da comparação dos custos financeiros anuais e de 5 anos de tratamento obtidos através dos métodos de farmácia, importação direta, associações de cultivo e autoprodução. Os resultados mostraram que a auto-produção é a opção mais econômica, com um custo significativamente menor do que os outros métodos, cerca de 12 vezes mais barata do que a opção mais cara, neste período.

Tabela 9 – Comparação de Custos entre o cultivo próprio, óleos importados, medicamentos da
farmácia e óleo da associação para o tratamento de sintomas do TEA. Fonte: Elaborado pelo autor, Fonte consultada Chandra (2016)

Além disso, ao compararmos esses custos com o salário mínimo brasileiro, é possível concluir que esses custos são extremamente elevados para a maioria dos pacientes demandantes de medicamentos à base de canabidiol. A maioria desses pacientes provavelmente não teria condições financeiras de arcar com os custos de tratamento anuais propostos pelos outros métodos, como farmácia e importação direta. Isso mostra a importância de se democratizar e viabilizar o autocultivo de cannabis, para que esses pacientes tenham acesso ao tratamento de forma acessível.

Além disso, ao comparar esses custos com o salário mínimo brasileiro, é possível perceber que a opção de auto-produção é ainda mais vantajosa, assumindo como parâmetro o salário mínimo aprovado em janeiro de 2023 pelo Presidente Lula no valor de R$ 13026 .

Enquanto o tratamento anual na farmácia representa cerca de 251 salários mínimos, a autoprodução representa cerca de 20 salários mínimos. Isso evidencia que a auto-produção é uma opção acessível para muitos pacientes, especialmente aqueles que não possuem condições financeiras para arcar com os altos custos de tratamento. Dessa forma, é possível concluir que o objetivo de realizar o levantamento de custos relacionados ao sistema de produção foi atingido, e que a auto-produção é a opção mais econômica para pacientes demandantes de medicamentos à base de canabidiol, especialmente para aqueles com recursos financeiros limitados. Além disso, é importante destacar que a autoprodução também é uma alternativa viável para democratizar o acesso a medicamentos à base de canabidiol, e assim garantir que mais pacientes possam ter acesso a esse tipo de tratamento.

Além dos aspectos financeiros, a autoprodução de cannabis para consumo medicinal apresenta desafios operacionais complexos, uma vez que não é realizada por profissionais especializados. Para viabilizar o capital inicial e os custos de manutenção, é necessário alocar tempo em outras atividades econômicas que possam suprir as despesas operacionais. É importante notar que os aspectos como o controle de solo, temperatura, umidade e luminosidade devem ser cuidadosamente monitorados pelos cultivadores para garantir o adequado tratamento dos pacientes demandantes.

4.3 Proposta para racionalização de custos e aspectos operacionais inerentes à cadeia de
produção visando democratizar e viabilizar o tratamento dos sintomas de TEA com
canabidiol:

A cannabis medicinal tem mostrado eficácia em várias patologias, como o transtorno do espectro autista (TEA), e pode ser uma alternativa econômica e acessível para pacientes. No entanto, a cadeia de produção atual é complexa e cara, o que impede que muitos pacientes tenham acesso ao medicamento.

Uma das principais formas de reduzir os custos envolvidos no tratamento dos sintomas de Transtorno do Espectro Autista (TEA) com canabidiol é através do autocultivo. Essa prática permite que os pacientes ou seus cuidadores possam cultivar a cannabis medicinal de forma segura e legal, sem depender de fornecedores externos e, consequentemente, reduzindo os custos operacionais.

No entanto, é importante levar em consideração que o autocultivo deve ser realizado por pessoas que possuem conhecimentos botânicos, agronômicos, farmacológicos e regulatórios adequados. Para isso, é recomendável que os pacientes ou seus cuidadores busquem treinamentos ou cursos especializados antes de iniciar o cultivo. Para viabilizar o autocultivo de cannabis, é fundamental a implementação de políticas públicas que promovam a educação e capacitação dos pacientes para o cultivo, além de garantir acesso a recursos financeiros e técnicos.

Além disso, é importante que as medidas de segurança e biossegurança sejam seguidas rigorosamente, a fim de garantir a qualidade e segurança do medicamento para os pacientes. Isso inclui, por exemplo, a utilização de substrato de alta qualidade e a realização de testes laboratoriais esporádicos para garantir a pureza e a concentração adequada do canabidiol. Tais testes podem ser realizados em associações ou faculdades.

Uma das principais formas de racionalizar os custos e tornar o autocultivo viável é através da produção em maior escala. Isso pode ser alcançado através da criação de associações de cultivo entre pacientes, onde os custos de capital inicial e manutenção são divididos entre os participantes.

Além disso, a inclusão do canabidiol em planos de saúde e no Sistema Único de Saúde (SUS) é uma estratégia significativa para assegurar o acesso equitativo a este tratamento no curto e longo prazo. Tal abordagem possibilitaria o acesso gratuito para aqueles que não têm condições de arcar com os custos, enfrentando assim as barreiras financeiras que frequentemente impedem o acesso aos serviços de saúde. Ademais, a inclusão do canabidiol em planos de saúde e no SUS também assegura a estruturação de protocolos de tratamento e acompanhamento médico para o uso do medicamento, o que é fundamental para garantir a eficácia do tratamento.

A legislação proposta, conforme descrito no Projeto de Lei 481/237, é um excelente exemplo de tal iniciativa. Esta lei visa criar uma política nacional para o fornecimento gratuito
de medicamentos à base de canabidiol em unidades de saúde públicas e privadas afiliadas ao SUS. A política também cobriria medicamentos que combinam canabidiol com outros canabinóides, como o tetrahidrocanabinol, desde que cumpram as normas estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e sejam prescritos por um profissional de saúde legalmente qualificado.

No entanto, o paciente deve demonstrar que não tem meios financeiros para comprar os medicamentos ou tê-los adquiridos por sua família ou responsáveis legais sem comprometer seu sustento. A execução da política seria responsabilidade do órgão estadual do SUS, com despesas cobertas pelas dotações orçamentárias fornecidas pela União ao SUS.

Embora esta iniciativa seja louvável, é importante notar que o alto custo desses medicamentos, muitas vezes devido à sua produção ser autorizada principalmente no exterior, continua sendo uma barreira significativa. Portanto, embora a incorporação do canabidiol nos planos de saúde e no SUS seja um passo importante, também é crucial abordar os altos custos associados a esses medicamentos para garantir sua acessibilidade e acessibilidade para todos os pacientes.

Uma maneira primordial de diminuir os custos dos medicamentos à base da cannabis, é a produção em escala nacional. Através da implementação de políticas públicas e programas de incentivo à produção de canabidiol, é possível ampliar a oferta de matéria-prima e, consequentemente, reduzir os preços dos medicamentos.

Além disso, a produção em escala nacional também assegura a segurança e a qualidade do medicamento. Isso ocorre porque é possível implementar medidas de segurança e biossegurança que garantem a qualidade e a segurança do medicamento para os pacientes. Essas medidas podem incluir o controle rigoroso das condições de cultivo, a verificação regular da qualidade das plantas e dos produtos finais, e a implementação de protocolos de manuseio e processamento que minimizem o risco de contaminação.

Ademais, a produção em escala nacional pode contribuir para a autossuficiência do país na produção de canabidiol, reduzindo a dependência de importações e, portanto, diminuindo a vulnerabilidade a flutuações de preços internacionais e a possíveis interrupções no fornecimento.

Por fim, a produção em escala nacional pode também gerar empregos e contribuir para o desenvolvimento econômico, especialmente em áreas rurais onde as oportunidades de emprego podem ser limitadas. Além disso, a produção em escala nacional pode estimular a pesquisa e o desenvolvimento na área de canabinóides, contribuindo para o avanço do conhecimento científico e tecnológico no país.

No entanto, para que essas estratégias sejam bem-sucedidas, é crucial que exista um ambiente regulatório favorável e um apoio institucional adequado. Isso inclui a existência de regulamentos claros e justos para o autocultivo e a produção em escala de canabidiol, o acesso a financiamento e recursos técnicos para os produtores, e a disponibilidade de serviços de extensão e treinamento para os pacientes e seus cuidadores.

Em suma, a produção em escala, seja através de associações de cultivo entre pacientes ou em nível nacional, pode ser uma estratégia eficaz para tornar o tratamento com canabidiol mais acessível e seguro. No entanto, para que isso seja possível, é necessário um compromisso firme por parte dos formuladores de políticas, dos prestadores de serviços de saúde e da sociedade em geral para apoiar essas iniciativas e criar um ambiente propício para o seu sucesso.

5. Conclusões do Estudo

Este estudo teve como objetivo principal investigar os desafios e oportunidades associados à autoprodução de Cannabis sativa para fins terapêuticos em pacientes com autismo. Através de uma revisão sistemática da literatura e uma análise crítica dos documentos selecionados, foi possível identificar os principais desafios legais, técnicos, financeiros e de manejo enfrentados na autoprodução de Cannabis sativa para fins terapêuticos.

Os desafios legais incluem a necessidade de regulamentação específica para a produção e uso de cannabis para fins terapêuticos. Os desafios técnicos envolvem a necessidade de conhecimento e capacitação para o cultivo da planta. Os desafios financeiros abrangem o custo de produção e a necessidade de investimento em pesquisa e conhecimento. E os desafios de manejo incluem a necessidade de controle de qualidade e padronização dos produtos derivados da cannabis.

No entanto, apesar desses desafios, a pesquisa também identificou potenciais benefícios do uso de Cannabis sativa para fins terapêuticos em pacientes portadores de autismo. Estudos recentes apontam para o potencial terapêutico de canabinóides, como o canabidiol (CBD), para diferentes condições clínicas, incluindo o autismo.

A racionalização dos custos é uma questão crucial para tornar o tratamento com canabidiol mais acessível. Estratégias como o autocultivo, a formação de associações de cultivo
entre pacientes, a produção em escala nacional e a inclusão do canabidiol em planos de saúde e no Sistema Único de Saúde (SUS) podem contribuir significativamente para a redução dos custos associados ao tratamento com canabidiol.

No entanto, para que essas estratégias sejam bem-sucedidas, é crucial que exista um ambiente regulatório favorável e um apoio institucional adequado. Isso inclui a existência de regulamentos claros e justos para o autocultivo e a produção em escala de canabidiol, o acesso a financiamento e recursos técnicos para os produtores, e a disponibilidade de serviços de extensão e treinamento para os pacientes e seus cuidadores.

Com base na pesquisa realizada, é possível afirmar que o cultivo indoor de cannabis de alta qualidade e alto rendimento é um processo complexo que requer conhecimento especializado e equipamentos adequados. A iluminação é uma parte crucial no cultivo de cannabis, pois é responsável pela produção de clorofila e pela fotossíntese, processos fundamentais para o crescimento e desenvolvimento das plantas. O tipo, a intensidade e a duração da iluminação afetam diretamente o rendimento e a qualidade do produto final.

Para obter resultados desejáveis no cultivo de cannabis, é importante fornecer uma quantidade adequada de luz, especialmente durante a fase de floração. A iluminação ideal é geralmente fornecida por lâmpadas LED específicas para horticultura, que fornecem uma ampla gama de comprimentos de onda e intensidade de luz. A duração da iluminação também é importante, pois a planta precisa de um período de escuridão para descansar e se recuperar.

Além disso, é importante lembrar que é necessário possuir os equipamentos e suprimentos adequados para garantir uma produção de alta qualidade. As estufas de cultivo são estruturas fechadas que permitem controlar e manter as condições climáticas ideais para o crescimento e desenvolvimento das plantas de cannabis. Elas são importantes por vários motivos: controle climático, ciclo de sono e proteção contra pragas e doenças.

Agora, falando sobre a importância de subsídios para cursos de educação no tema, equipamentos e redução na conta de luz para jardineiros, é importante ressaltar que a educação e o treinamento adequados são fundamentais para garantir que os jardineiros possam cultivar cannabis de forma eficaz e segura. Subsídios para cursos de educação podem ajudar a garantir que mais pessoas tenham acesso a essas informações importantes.

Além disso, o custo dos equipamentos necessários para o cultivo de cannabis pode ser proibitivo para muitos jardineiros. Subsídios para equipamentos podem ajudar a tornar o cultivo de cannabis mais acessível. Da mesma forma, a energia necessária para o cultivo de cannabis pode ser significativa, e a redução na conta de luz pode ajudar a tornar o cultivo de cannabis mais viável financeiramente.

O cultivo de cannabis pode ter benefícios significativos para o governo. Pode levar à redução de custos altos em medicamentos, redução de gastos no sistema de saúde, redução de
mortes e movimentação da economia. A cannabis tem sido usada para tratar uma variedade de condições médicas, e o cultivo doméstico pode tornar o tratamento mais acessível para muitos pacientes. Além disso, a indústria da cannabis pode criar empregos e gerar receita através de impostos.

Em suma, a produção em escala, seja através de associações de cultivo entre pacientes ou em nível nacional, pode ser uma estratégia eficaz para tornar o tratamento com canabidiol mais acessível e seguro. No entanto, para que isso seja possível, é necessário um compromisso firme por parte dos formuladores de políticas, dos prestadores de serviços de saúde e da sociedade em geral para apoiar essas iniciativas e criar um ambiente propício para o seu sucesso.

Este estudo contribui para a literatura existente ao fornecer uma análise abrangente dos desafios e oportunidades associados à autoprodução de Cannabis sativa para fins terapêuticos em pacientes com autismo. Espera-se que os resultados deste estudo possam informar os formuladores de políticas, os prestadores de serviços de saúde e os pacientes sobre as possíveis estratégias para tornar o tratamento com canabidiol mais acessível e seguro. Além disso, espera-se que este estudo possa estimular mais pesquisas e discussões sobre este importante tópico.

Ainda há muito a ser feito para garantir que todos os pacientes que necessitam de tratamento com canabidiol possam ter acesso a ele de forma segura, eficaz e acessível. No entanto, com a combinação certa de políticas públicas, apoio institucional e compromisso da sociedade, é possível superar os desafios atuais e tornar o tratamento com canabidiol uma realidade para todos os pacientes que dele necessitam.

Em conclusão, este estudo destaca a importância de abordar os desafios legais, técnicos, financeiros e de manejo associados à autoprodução de Cannabis sativa para fins terapêuticos em pacientes com autismo. Ao mesmo tempo, aponta para a necessidade de estratégias de racionalização de custos, como o autocultivo, a formação de associações de cultivo entre pacientes, a produção em escala nacional e a inclusão do canabidiol em planos de saúde e no SUS, para tornar o tratamento com canabidiol mais acessível. Com o compromisso e o esforço conjunto de todos os envolvidos, é possível tornar o tratamento com canabidiol uma realidade acessível e segura para todos os pacientes que dele necessitam.

5.1 Limitações e Sugestões para estudos futuros

Este estudo, como qualquer outro, não está isento de limitações. Primeiramente, a natureza complexa e multifacetada da legislação e regulamentação em torno do cultivo de cannabis para fins terapêuticos pode ter limitado a capacidade de abordar todas as nuances e detalhes. Além disso, a falta de estudos longitudinais e experimentais na literatura existente também pode ter limitado a capacidade de fazer inferências causais sobre os efeitos do uso de canabidiol em pacientes com autismo.

Outra limitação importante é a falta de dados sobre os custos exatos associados ao autocultivo de cannabis para fins terapêuticos. Embora tenhamos discutido várias estratégias para racionalizar os custos, a falta de dados concretos pode ter limitado a capacidade de fazer recomendações específicas.

Além disso, a falta de estudos sobre a eficácia do canabidiol em diferentes subtipos de autismo e a variabilidade individual na resposta ao tratamento são áreas que necessitam de mais investigação. A eficácia do canabidiol pode variar dependendo de fatores como a gravidade dos sintomas, a presença de comorbidades e a genética individual.

Para estudos futuros, sugerimos a realização de mais pesquisas experimentais e longitudinais para entender melhor os efeitos a longo prazo do uso de canabidiol em pacientes
com autismo. Além disso, estudos que investigam os custos exatos e os benefícios econômicos do autocultivo de cannabis para fins terapêuticos seriam extremamente valiosos. Ademais, estudos que se aprofundam no planejamento e controle da produção do auto cultivo de cannabis são extremamente necessários, porém ainda faltam estudos sobre o tema.

Também seria útil explorar mais a fundo as barreiras legais e regulatórias ao autocultivo de cannabis e como elas podem ser superadas. Isso poderia incluir a análise de diferentes modelos regulatórios em diferentes países e a avaliação de sua eficácia.

Por fim, estudos futuros poderiam explorar a eficácia do canabidiol em diferentes subtipos de autismo e a variabilidade individual na resposta ao tratamento. Isso poderia ajudar a personalizar o tratamento para indivíduos específicos e a maximizar os benefícios do uso de canabidiol.

Sobre o Autor:

Meu nome é Carlos Eduardo, paciente de Cannabis Medicinal e sócio fundador da Cultlight, empresa especializada em iluminação para horticultura e cultivo indoor. Pra quem já me conhece do Instagram ou do YouTube, eu sou o Cadu da Cultlight. Sou Engenheiro de Produção formado na Universidade Federal Fluminense (UFF), onde pesquiso sobre de Cannabis, cultivo, produção e autoprodução, principalmente com o foco medicinal. Te convido a acompanhar nossos conteúdos nas redes sociais para ter acesso a mais dicas e conteúdos técnicos gratuitos sobre cultivo de maconha!

Se você ainda possui alguma dúvida sobre cultivo de cannabis, por mais simples e básica que pareça ser, não hesite em entrar em contato com a Cultlight, nós faremos o possível para te ajudar ao longo de todo o caminho.

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